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Posts Tagged ‘africana’

Jardim das Folhas Sagradas, filme do cineasta Pola Ribeiro, trabalha a questão da Cultura Negra, com um olhar atento, com respeito as tradições africanas  trançando uma téia de relações entre o indivíduo e seus conflitos, as  relação com o meio social, enfim uma cultura viva que precisa ser compreendida e respeitada.

É sempre saudável que abordagens profundas sejam  mostradas. Esperamos sucesso a toda a equipe e que este filme seja semeado pelo vento e frutifique em campos férteis transformando-se em frutos de sabedoria, conhecimento e união entre todas as culturas humanas.

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No Mês da Consciência Negra, projeto dá espaço para documentários que resgatam tradições populares de origem africana.

No mês de novembro, quando o Brasil celebra a Consciência Negra, o Quartas Baianas apresenta dois documentários que abordam temas relacionados à cultura afrobrasileira: o primeiro, no dia 3, é O Divino Espírito Popular, dirigido por Pedro Abib; depois, no dia 10, é a vez de Cantador de Chula, dirigido por Marcelo Rabelo. As sessões, como tradicionalmente, acontecem na Sala Walter da Silveira (Barris), às 20 horas, com entrada gratuita.

O Divino Espírito Popular (2006, 54 min.) mostra a tradicional e secular festa popular do Divino Espírito Santo, no município de Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo. Neste evento, um dos mais antigos do Brasil, com mais de 300 anos, estão inseridas influências marcantes de manifestações afrobrasileiras, dentre as quais se destacam grupos de Congada, Moçambique e Marujada.

Já Cantador de Chula (2009, 95 min.) retrata o universo da chula, canto principal em algumas modalidades do samba no interior da Bahia, caracterizado por sua técnica vocal e improvisação de versos, presente somente na memória oral dos mais velhos. O filme caminha pelo Recôncavo e Agreste baianos, onde podemos ouvir algumas chulas e outras cantigas tradicionais. Através de contatos de moradores locais com os mestres e mestras da região, passamos a conhecer mais sobre esta forte herança africana.

O projeto Quartas Baianas é uma iniciativa da Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABCV) em parceria com a Diretoria de Audiovisual (DIMAS) da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), para a exibição gratuita de filmes ou vídeos baianos, sempre às quartas-feiras, na Sala Walter da Silveira. Em seis anos, o Quartas Baianas já exibiu mais de 450 títulos de produções audiovisuais do estado.

Quartas Baianas
3/11: O Divino Espírito Popular
10/11: Cantador de Chula
Horário: 20 horas
Onde: Sala Walter da Silveira: Rua General Labatut, 27, Barris
Quanto: Grátis
Realização: DIMAS/FUNCEB – ABCV
Site: www.dimas.ba.gov.br

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Reportagem publicada na edição de 20/11/2008 do  Correio  da Bahia

 

Leonardo Nascimento, 10 anos, não hesita em responder sobre o que gosta na cultura africana. ‘Adoro a dança porque se assemelha com a brasileira’. Ele também sabe exatamente em qual liderança negra se espelha. ‘Queria ser o Barack Obama’. Já Ana Rita de Kássia, 12 anos, prefere as roupas e comidas da África. Igor Rego, também de 12 anos, não esconde sua predileção pela capoeira.

Welington Francisco, no entanto, diz que conhecer sobre o continente africano o ajudou a não julgar as pessoas pela cor. As distinções apresentadas pelos alunos – todos negros – do Colégio Municipal Maria Constança, na Mata Escura, são reflexos de uma crescente política de inclusão do ensino da história africana nas escolas da rede pública da Bahia.

 

Escola Municipal Maria Constança

Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, a Lei 10.639 obriga a inclusão, no currículo oficial das escolas públicas e privadas, da temática história e cultura afro-brasileira. A implantação da lei é financiada com recursos do Ministério da Educação e Cultura (MEC), mas cabe aos estados e municípios implementá-la nas escolas. Desde a sanção do dispositivo, o MEC já investiu cerca de R$12 milhões – entre produção De materiais e capacitação De professores. De acordo com a resolução, a disciplina deve ser ministrada de forma transversal inserindo-se em várias matérias sem, portanto, uma carga horária preestabelecida.

 

PIONEIRA Na Bahia, tanto a rede municipal como a estadual saíram na frente do país na aplicação da lei. As 411 escolas do município, segundo o coordenador geral da rede, Manoel Calazans, começaram a executar a lei em 2005. ‘Fomos a primeira capital do Brasil a colocar a norma em prática’. Além disso, explica, no mesmo ano, foram apresentados módulos com diretrizes para os professores. ‘É preciso explicar o que os docentes vão passar em sala de aula porque a formação deles não abrange as raízes africanas’.

 

Na rede estadual, a implementação Está um pouco mais lenta. De acordo com a coordenadora de diversidade negra, gênero e sexualidade da Secretaria de Educação da Bahia, Vilma Passos, a lei só começou a funcionar na Bahia a partir de 2008. ‘Iniciamos este ano a formação dos professores e alguns projetos pontuais para garantir o funcionamento da lei’, explicou. Ela prefere, no entanto, não arriscar quantas escolas da rede estadual implantaram de fato o ensino de cultura afro-brasileira. ‘Mas, ainda este mês, vamos formar 200 professores na área’, conta. Se na Bahia existem avanços na área, em outras localidades o cumprimento da lei ainda é tímido. O próprio MEC não sabe precisar ao certo quantas escolas efetivam a determinação. Para melhorar o quadro, o ministério lança ainda este mês o Plano Nacional de Implementação da Lei, com distribuição de material didático – orientando professores – e monitoramento das atividades.

 

Sistema precisa ser melhorado

A falha na aplicação da lei em alguns localidades do país é apontada pela professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UNB) e presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, Eliane Cavalleiro, como falta de planejamento do MEC. ‘Para aplicar qualquer política pública, são necessários recursos humanos e financeiros e isso não foi planejado com calma’, avalia. Isso resulta, para ela, numa ‘quebra sistemática’ da implantação da lei. ‘Ela (a lei) é fundamental para um processo de educação de crianças negras e brancas para que o preconceito possa ser eliminado gradualmente’, explicou.

 

O secretário municipal da Reparação, Sandro Correia, acredita que a lei deveria ser mais abrangente. ‘O ideal é que a formação dos profissionais também envolvesse a questão racial e gerasse um sistema de formação da cidadania’, indica.

Apesar dos resultados positivos na rede municipal, Calazans defende que é necessário que alguns pontos avancem. ‘Precisamos aumentar a a formação dos professores para garantir a contemplação da pluralidade’, explicou. Vilma também defende que o estado deverá avançar muito para alcançar um panorama satisfatório. ‘Estamos em um processo embrionário de implantação da lei, mas nos próximos anos a tendência é aumentar’, sinaliza.

 

 

 

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