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Posts Tagged ‘candomblé’

por: Jaqueline Barreto

O turismo étnico prevê os nossos terreiros como hotéis? Quais serão os benefícios trazidos por ele? Será que nossos orixás precisam ser consultados?” A partir desses questionamentos, o antropólogo Vilson Caetano iniciou seu depoimento destacando que essas dúvidas sobre o turismo étnico ainda apresentam-se como incógnitas para o povo de santo e que, enquanto isso, a especulação imobiliária pressiona e destrói as matas próximas às casas de candomblé. “Essas agências de turismo tornam nossos rituais litúrgicos em passeios. Que tal os nossos órgãos de turismo do Estado oferecer uma capacitação aos nossos filhos de santo para que eles possam atender os visitantes? Essa não é uma sugestão e, sim, uma reivindicação! Vilson Caetano, entretanto, salientou que o turismo étnico pode “ nos ajudar a sermos os porta-vozes de nossa própria história. As casas de candomblé são verdadeiras experiências multiculturais”, destacou.

Ao discorrer sobre a relação entre o universo da culinária e as suas respectivas simbologias sociais, o antropólogo e professor da Universidade Federal da Bahia, associou o acarajé à representação da baianidade. Assim, lembrou sobre as discussões em torno da venda do “acarajé de Jesus” e os adeptos do candomblé. “ Eu, particularmente, acho que qualquer estabelecimento pode comercializar o acarajé. A minha única reivindicação é em relação ao bolinho de Jesus que nega a identidade e a cultura negra”, frisou.

“Comida é patrimônio. Um símbolo sagrado. Comemos não apenas ingredientes, mas, acima de tudo, símbolos” Vilson Caetano, assim, explicou sobre a confusão existente na sociedade de que a “comida baiana” teria se originado da comida de santo. “ As comidas dos orixás são mais elaboradas e são seguidas por canções de encantamento”, conta.

A importância histórica e mercadológica das comidas feitas nos terreiros e a sua possível comercialização pelo turismo étnico originaram o Projeto “Sabor sacrossanto dos terreiros para você”, elaborado pelo historiador Jaime Sodré. Esse projeto inclui capacitação dos integrantes do terreiro, compra de equipamentos, regras de higiene, e, além de outras demandas, uma guia de alimentação para os turistas intitulado como “roteiro delícia”.

Segundo Sodré, esse roteiro anda não conta com a autorização dos terreiros citados e apresenta-se apenas como uma sugestão: Casa Branca-café da manhã, Bogum-merenda, Cobre-merenda, Tanuri-almoço, Oxumarê-minguas e gantuá-chás. “Agora, vamos receber pessoas que deverão nos respeitar e gerar renda para nossas comunidades. Antigamente, elas iam em nossos terreiros explorar nossa comida e, no final das contas, a gente é que pagava o bamgá”

De acordo com o historiador Jaime Sodré, diferente do que acontecia antigamente, no qual as pessoas iam ao terreiro para assistir ao “show”, agora, a proximidade entre o candomblé e o turismo étnico deve ocorrer de forma respeitosa, de forma harmônica. Sodré disse ainda que a yalorixá Mãe Stela elaborou uma cartilha de como o turista deve se comportar dentro de uma casa de santo, abordando, entre outros aspectos, indumentária e aparelhos eletrônicos. “ O guia de turismo coloca o turista dentro do terreiro e esses ficam esperando o “espetáculo” desrespeitando o funcionamento normal do terreiro”,explicou.

Jaime Sodré, ao falar sobre turismo e a cultura afro-brasileira, citou como exemplo a venda de sequilhos pelas freiras do convento da Lapa e questionou: Por que as freiras podem fazer sequilhos e vender e a gente não pode explorar nosso potencial gastronômico? Desse modo, lembrou que o negro introduziu na comida do país alguns elementos como o leite de coco, o dendê, a pimenta e que, a pesar de sua condição de escravo, ofereceu à sociedade uma culinária que representa a luta da população negra. “ Comer para gente é também resistência ao poder do senhor branco e escravocrata”, disse.

texto publicado no site: http://www.nucleoomidudu.org.br

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O ministro da Cultura e o presidente da Palmares participam da celebração

Foram realizadas de 30 de julho a 1º de agosto últimos as atividades comemorativas do centenário de um dos mais tradicionais templos de religião de matriz africana no Brasil: o terreiro Ilê Axé Opô Afonjá. Comandado pela Yalorixá Stella de Oxóssi, a Mãe Stella, o santuário de candomblé, localizado no bairro de São Gonçalo, em Salvador (BA), é um dos seis terreiros instalados no País tombados pelo Ministério da Cultura.

Pioneiro na luta pela preservação de valores e identidades das religiões afro-brasileiras, o Ilê Axé Opô Afonjá comemora seus 100 anos de existência tendo no horizonte o sentido de preservação de um dos mais importantes terreiros da nação ketu do Brasil, bem como de respeito e tolerância pelas práticas religiosas de origem africana.

MINISTRO DA CULTURA – A abertura do ciclo de atividades ocorreu  às 19 horas do dia 30 de julho último, quando o presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Zulu Araújo, estará representando o ministro da Cultura, Juca Ferreira, que, em virtude da agenda, só poderá participar das comemorações no domingo.

Da programação, consta a inauguração do busto de Mãe Aninha, fundadora e primeira Yalorixá do terreiro,  liderado, ao longo desses 100 anos, por quatro Yalorixás, além de Mãe Stella: Mãe Aninha, Mãe Bada, Mãe Senhora e Mãe Ondina. Integram ainda o rol de atividades, performances de dança, exibição de documentário, palestras e lançamento de publicações, de selo personalizado e carimbo comemorativo, pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT).

100 anos do Candomblé de São Gonçalo: E daí, nasceu o encanto!, título do evento, tem apoio do Ministério da Cultura e é realizado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Foi idealizado pela Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá, e contou com o apoio da Fundação Cultural Palmares.

Foto Mario Cravo Neto/divulgação

Yalorixá Stella de Oxossi

Mãe Stella

Mãe Stella foi a primeira Yalorixá a publicar livros sobre o Candomblé no Brasil, dentre eles, E daí aconteceu o encanto (de 1988, em co-autoria com sua filha, Cléo Martins) eMeu tempo é agora (de 1993). Em 1999, recebeu a insígnia da Ordem do Mérito Cultural, um reconhecimento do Governo Federal a personalidades, grupos artísticos, iniciativas e instituições que se destacaram pelas contribuições à cultura brasileira.

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Para quem curte fotografia e também se interessa por candomblé, uma boa opção é a  exposição intitulada  “Depois da Festa- Decoração ritual do Terreiro da Casa Branca”.

A mostra traz fotografias da decoração litúrgica da Casa Branca feitas por Regina Martinelli Serra. É uma oportunidade de conferir a variação de cores e formatos que tomam o barracão e outros espaços dos terreiros durante as festas. 

Regina Martinelli Serra é membro da comunidade da Casa Branca. Em 2001 ela pediu licença à ialorixá do terreiro, Mãe Tatá, para fazer as fotografias.

“Na Casa Branca não se pode fazer fotografias durante os rituais. Às vezes tinha que esperar um pouco mais, pois havia os erês e na sua presença também não podia registrar nada. Durante dois anos fui fazendo as fotos. Fiz também retratos que pretendo um dia incorporar a esta exposição”, conta Regina.

De acordo com ela, a exposição é também uma forma de mostrar a beleza do trabalho feito pela comunidade da casa, na maioria das vezes com papel, flores e pano. “Tudo muito simples e extremamente belo.  A criatividade do povo de santo conseguia tirar daqueles  elementos um esplendor que até hoje me comove”, completa.

A mostra prossegue até o dia 5 de março. O período de visitas é de segunda a sexta das 9 às 18 horas, no Museu de Arqueologia e Etnologia da Ufba e no Museu Afro-Brasileiro, ambos localizados no prédio da antiga Faculdade de Medicina,  no Terreiro de Jesus,  Pelourinho.

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Jardim das Folhas Sagradas conta a história de Bonfim, negro baiano que tem sua vida virada pelo avesso com a revelação de que precisa abrir um terreiro de candomblé. Com os espaços disponíveis cada vez mais raros, ele acaba procurando um lugar na periferia empobrecida e degradada. Afastado da tradição e questionando fundamentos como o sacrifício de animais, Bonfim cria um terreiro modernizado e descaracterizado, o que lhe trará graves conseqüências.

Numa época em que o crescimento urbano acelerado e a favelização transformam as cidades em espaços cada vez menos habitáveis, o candomblé, religião ancestral trazida pelos escravos africanos, tem uma grande lição de convívio e preservação da natureza a oferecer. A Bonfim e a toda cidade de Salvador.

http://www.jardimdasfolhassagradas.com

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Lançamento de livro escrito pela yalorixá será amanhã. Foto: Rejane Carneiro

 Foto: Rejane Carneiro

Será lançado sábado dia 9 de maio de 2009 ,o livro a Resistência da Fé de Mãe Valnizia de Ayrá. O livro é uma  autobiografia  e narra  fatos de sua vida  . 

Será uma ótima oportunidade para que todos conheçam  a atuação da lider espiritual do Terreiro do Cobre, que vai completar  50 anos  no próximo domingo.

No domingo, o   jornal A Tarde, trará uma reportagem sobre  Mãe Valnizia, que iniciou sua vida espiritual aos 16 anos no Terreiro da Casa Branca.

Laçamento do livro.

Quando : dia 9 de maio de 2009 às 17h00

Local : Solar do Ferrão Pelourinho – Rua Gregório de Mattos ,45

 

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 Mariangela Nogueira | DivulgaçãoJoão José Reis lança livro nesta segunda, 22, na Livraria LDM

João José Reis lança livro nesta segunda, 22, na Livraria LDM

Desenterrar dos arquivos velhos imperiais a vida de um escravo negro que virou sacerdote, até então anônimo na historiografia brasileira, foi mais um trabalho primoroso do professor João José Reis, historiador catedrático da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Trata-se do livro Domingos Sodré: um sacerdote africano – Escravidão, liberdade e candomblé na Bahia do século XIX, que o historiador lança, nesta segunda, dia 22, às 17 horas, na Livraria Multicampi LDM.
Com a reconstituição da vida de Domingos Sodré e de outros libertos, Reis mostra como escravos africanos conquistaram ascensão econômica, negociando e formando alianças sociais, tendo como armas os ritos trazidos de suas terras. O que a obra desvela é uma Bahia oitocentista com brechas à mobilidade social, apesar de ser predominantemente escravista.
  
Mas João José Reis também mostra, além da mobilidade, os mecanismos cruéis limitantes dela: as barreiras étnicas e raciais. “O caso de Sodré não é representativo dos libertos. A maioria deles vivia no limite da pobreza, nunca lograram a ascensão do personagem”, disse Reis. Segundo ele, para além da alforria, o negro liberto continuava a se defrontar com a sociedade dos livres. E isso também pesou na vida de Sodré. “Essa mobilidade não se traduziu em outros âmbitos da vida dele, não comprovou trânsito livre no mundo dos brancos”, explica.

SENHOR – Nascido na África, depois que veio para Salvador como escravo, Sodré conseguiu libertar-se de um senhor poderoso e virou, ele próprio, senhor de escravos. E a principal arma para  isso foi lançar mão da feitiçaria.

Serviço:

Lançamento do livro Domingos Sodré: um Sacerdote Africano – Escravidão, Liberdade e Candomblé na Bahia do Século XIX, de João José Reis | Segunda, 22, 17h | Livraria Multicampi LDM (71 2101-8007), Piedade, Centro  Salvador Bahia.

Fonte Jornal A Tarde

 

 

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