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Posts Tagged ‘cultura negra’

Jardim das Folhas Sagradas, filme do cineasta Pola Ribeiro, trabalha a questão da Cultura Negra, com um olhar atento, com respeito as tradições africanas  trançando uma téia de relações entre o indivíduo e seus conflitos, as  relação com o meio social, enfim uma cultura viva que precisa ser compreendida e respeitada.

É sempre saudável que abordagens profundas sejam  mostradas. Esperamos sucesso a toda a equipe e que este filme seja semeado pelo vento e frutifique em campos férteis transformando-se em frutos de sabedoria, conhecimento e união entre todas as culturas humanas.

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O Centro Histórico de Salvador vai sediar o primeiro Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab) do país. Não poderia ser diferente, pois Salvador é conhecida como a capital negra do Brasil.

 

 Os dois edifícios da década 1920, que já foi sede do Tesouro e do antigo pronto-socorro municipal, está sendo restauradado para abrigar fatos históricos da cultura afro-brasileira.

O Ministério da Cultura está investindo com R$ 10 milhões para a construção da Muncab, sendo que a primeira parcela já foi liberada no valor R$ 3,8 milhões.

 

 

O futuro diretor, José Carlos Capinan, afirma que o valor não é suficiente, que é necessário o dobro para finalizar o projeto, mas que dá para retomar as obras e começar a adquirir o acervo do museu.
África pré-colonial, os fluxos migratórios, a escravidão e a abolição, os movimentos de resistência e as contribuições africanas à cultura brasileira serão os temas básicos do projeto museográfico, explica Capinan.

A partir de 2012, o museu vai sediar a Bienal da Diáspora Afro-Atlântica, abordando a cultura dos vários países que receberam influências da África.

 

 

Vamos aguardar e torcer para que o Muncab fique pronto o quanto antes.

E viva a cultura afro-brasileira!

 

 

http://www2.uol.com.br/historiaviva

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O ministro da Cultura e o presidente da Palmares participam da celebração

Foram realizadas de 30 de julho a 1º de agosto últimos as atividades comemorativas do centenário de um dos mais tradicionais templos de religião de matriz africana no Brasil: o terreiro Ilê Axé Opô Afonjá. Comandado pela Yalorixá Stella de Oxóssi, a Mãe Stella, o santuário de candomblé, localizado no bairro de São Gonçalo, em Salvador (BA), é um dos seis terreiros instalados no País tombados pelo Ministério da Cultura.

Pioneiro na luta pela preservação de valores e identidades das religiões afro-brasileiras, o Ilê Axé Opô Afonjá comemora seus 100 anos de existência tendo no horizonte o sentido de preservação de um dos mais importantes terreiros da nação ketu do Brasil, bem como de respeito e tolerância pelas práticas religiosas de origem africana.

MINISTRO DA CULTURA – A abertura do ciclo de atividades ocorreu  às 19 horas do dia 30 de julho último, quando o presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Zulu Araújo, estará representando o ministro da Cultura, Juca Ferreira, que, em virtude da agenda, só poderá participar das comemorações no domingo.

Da programação, consta a inauguração do busto de Mãe Aninha, fundadora e primeira Yalorixá do terreiro,  liderado, ao longo desses 100 anos, por quatro Yalorixás, além de Mãe Stella: Mãe Aninha, Mãe Bada, Mãe Senhora e Mãe Ondina. Integram ainda o rol de atividades, performances de dança, exibição de documentário, palestras e lançamento de publicações, de selo personalizado e carimbo comemorativo, pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT).

100 anos do Candomblé de São Gonçalo: E daí, nasceu o encanto!, título do evento, tem apoio do Ministério da Cultura e é realizado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Foi idealizado pela Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá, e contou com o apoio da Fundação Cultural Palmares.

Foto Mario Cravo Neto/divulgação

Yalorixá Stella de Oxossi

Mãe Stella

Mãe Stella foi a primeira Yalorixá a publicar livros sobre o Candomblé no Brasil, dentre eles, E daí aconteceu o encanto (de 1988, em co-autoria com sua filha, Cléo Martins) eMeu tempo é agora (de 1993). Em 1999, recebeu a insígnia da Ordem do Mérito Cultural, um reconhecimento do Governo Federal a personalidades, grupos artísticos, iniciativas e instituições que se destacaram pelas contribuições à cultura brasileira.

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III BAHIA AFRO FILM FESTIVAL

O III BAHIA AFRO FILM FESTIVAL será realizado de 13 a 23 de maio de 2010, na cidade de Cachoeira – Bahia, com o objetivo de fortalecer o desenvolvimento da formação, produção e difusão do audiovisual brasileiro, otimizando a vocação de Cachoeira, São Félix e demais municípios do Território de Identidade do Recôncavo como potencial pólo cinematográfico e do turismo étnico.

Dia 14, 20h – Abertura Oficial do III Bahia Afro Filme Festival

Com homenagem póstuma ao maestro abolicionista Tranquilino Bastos. Homenagens ao artista Mateus Aleluia, ao cineasta Arnold Conceição, ao Ministro da Cultura – Juca Ferreira.

Local: auditório do Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

Mesa com representações institucionais:

• Ministro da Cultura – Juca Ferreira. • Coordenador Nacional do Programa Monumenta – Luiz Fernando. • Reitor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia/UFRB – Paulo Gabriel Nacif. • Assessor da Presidência da Petrobrás – Rosemberg Pinto. • Coordenador de Comunicação da Petrobrás Nordeste – Darcle Andrade. • Secretário Estadual de Cultura – Márcio Meireles. • Secretário Estadual de Turismo – Antônio Carlos Tramm. • Superintendente do SEBRAE – Edval Passos. • Secretária de Promoção da Igualdade – Luiza Bairros. • Diretor do CAHL da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia/UFRB. – Xavier Vantin. • Secretário de Cidadania Cultural/MINC – TT Catalão. • Secretário de Audiovisual/MINC – Newton Cannito. • Diretor do Instituto de Radiodifusão da Bahia/TVE – Póla Ribeiro. • Diretoria de Multimídia da SECULT – Sofía Federico. • Superintendente Regional IPHAN/Bahia – Carlos Amorim. • Diretor do IPAC – Frederico Mendonça. • Presidente da Fundação Cultural Palmares – Edvaldo Mendes Araújo (Zulu Araújo). • Coordenação do Curso de Cinema da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia/UFRB. – Danillo Barata. • Presidente da Oscip Casa do Cinema da Bahia – Lázaro Faria. • Coordenador do Ponto de Cultura Cineclube Rede Terreiro Cultural/CEPAS – Luiz Cachoeira. • Centro de Educação e Cultura Vale do Iguape – Jucilene Jovelino. • Presidente da Associação Brasileira de Documentarista – Solange Lima. • Presidente da Associação Baiana de Cinema e Vídeo – Mateus Damasceno.

20:30h – Exibição do filme institucional do Bahia Afro Film Festival/BAFF, e do curta metragem “Massapê” de autoria do cineasta homenageado Arnol Conceição.

21:00h – Show Musical “5 Sentidos” de Mateus Aleluia, com Orquestra Afro Sinfônica e convidados especiais. Com lançamento do CD.

 

Programação dos outros dias:

 

Quinta-feira, 13 
Conferência Os Significados do Dia 13 de Maio de 1888, às 14h30, no auditório do Colégio Estadual da Cachoeira 

Sexta-feira, 14 
Abertura Oficial do III Bahia Afro Film Festival, às 20 horas, no auditório do Centro de Artes, Humanidades e Letras da UFRB. Às 20h30, exibição do curta-metragem Massapê, do cineasta homenageado Arnol Conceição. Às 21 horas, show de lançamento do CD 5 Sentidos, de Mateus Aleluia, com Orquestra Afro Sinfônica e convidados especiais 

Sábado, 15 
Começa a mostra competitiva, a partir das 14 horas, no auditório da UFRB. Começa também o III Seminário de Antropologia Audiovisual, às 8h30, no auditório da UFRB

Domingo, 16 
Mostra de Filmes de Animação, a partir das 9h30, na Igreja do Rosarinho e na Escola Balão Mágico (em São Félix)

Segunda-feira, 17 
Experiências de Produção e Difusão Audiovisual em Processos Educativos, às 8h30, no auditório da UFRB

Terça-feira, 18 
Tela em Transe: Oficina de Cinema, com Operação de Câmeras Cinematográficas e Introdução ao Cinema Digital, às 8 horas, no Centro Cultural Dannemann (São Félix) 

Quarta-feira, 19 
Oficina: Análise Técnica do Roteiro À Procura de Palmares, a ser filmado em Cachoeira, às 8 horas no auditório da UFRB

Domingo, 23 
Exibição dos Filmes Premiados No III BAFF, às 20 horas, no auditório 

Inscrições no site bahiaafrofilmfestival.com.br ou pelo telefone (71) 3322-1279, gratuitas 

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A partir de quarta-feira (06) até o sábado (09), o festival de música negra Real Rotação que promete balançar o Largo Pedro Archanjo durante esta semana. O projeto, que faz parte da programação Tô no Pelô, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, com apoio do Pelourinho Cultural, surgiu para responder duas instigantes perguntas – a música negra dá dinheiro? E para o bolso de quem?

O Real Rotação apresentará uma vasta programação, desde Talk Shows a batalhas de Mc’s com prêmio em dinheiro e um baile black em homenagem a Tim Maia, além de muita música negra durante  os quatro dias de festa.

Programação

06/01/10 – Conversa Afinada (Talk Show) – Cultura Negra dá Dinheiro? Para o bolso de quem?

Entrevistados/ as: Zezé Motta,  Pestana (Editor Chefe da Revista Raça) e o cantor Dão

Participação: cantora Dona Liu e o rapper Lukas Kintê.

07/01/10Batalha de MC’s – Fora de Órbita Em Rotação. Campeonato de Free Style – Com premiação para o 1º, 2º e 3º lugar

Participação: grupos de rap Versu2 e Nova Saga.

08/01/10Lançamento da Mix Tape Rotação 33 – 1 DJ, 11 MCs. O Dj KLJay  assume o comando das pick-ups, enquanto os rappers Max B.O, Kamau, Aori, De Leve, Lívia Cruz, Sombra, Gaspar, Parte Hum, Phantom e Indião da dupla Andrômeda  cantam juntos no mesmo palco.

09/01/10 – Baile Black Especial Tim Maia

Participação: DJs KLJay, Mauro Telefunksoul e Bandido.

O que: Real Rotação

Quando: De 06 a 09 de Janeiro, sempre ás 19h.

Onde: Praça Pedro Arcanjo, Pelourinho

Quanto: Ingressos variam de R$ 0,40 a R$ 5, vendas no local

 

 

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Ver imagem em tamanho grandeIntelectual, política, professora e antropóloga brasileira nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais, histórica no movimento feminista brasileiro, por sua luta no combate à violência contra a mulher, notadamente a violência sexual e doméstica. Filha de um ferroviário negro e mãe de origem indígena, e penúltima de dezoito irmãos, migrou para o Rio de Janeiro (1942). Pioneira nos cursos sobre Cultura Negra, com destaque para o 1º Curso de Cultura Negra na Escola de Artes Visuais no Parque Lage, doutorou-se em Antropologia Social, em São Paulo, e dedicou-se a pesquisas sobre a temática de gênero e etnia. Militante do movimento negro, teve fundamental atuação em defesa da mulher negra, participando do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras e do Coletivo de Mulheres Negras N’Zinga. No II Congresso da Mulher Paulista em Valinhos, foi criado o SOS Mulher, sendo também criados serviços semelhantes em outros estados do país, entidades autônomas que tinham como objetivo atender as mulheres vítimas de violência, com um serviço voluntário de advogadas e psicólogas. Como conseqüência do movimento feminista, foram criadas, inicialmente em São Paulo (1985), as Delegacias de Defesa da Mulher. A Constituição de 88 passou a reconhecer a violência doméstica e a necessidade de o Estado criar medidas para coibi-la. Foi suplente de deputado federal (1982) e de deputado estadual (1986). Participou da primeira composição do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, o CNDM (1985-1989). Grande incentivadora das tradições afro-brasileiras, pertenceu ao Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombos, que fazia seu carnaval atendo-se às raízes do velho samba carioca e foi uma das fundadoras do grupo Olodum, de Salvador, Bahia, e faleceu vítima de problemas cardíacos, no Rio de Janeiro, aos 59 anos. Atuou nas universidades brasileiras por mais de 30 anos, até seu falecimento. Em seus últimos dias, foi eleita, por reconhecimento de sua competência, Chefe do Departamento de Sociologia, da Pontifícia Universidade Católica, a PUC, Rio de Janeiro. Em seus escritos destacaram-se os livros Lugar de Negro (1982), com Carlos Hasenbalg, e Festas Populares no Brasil, premiado na Feira de Frankfurt, mas também produziu muitos papers, comunicações, seminários e panfletos político-sociais.

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Hoje o Portal da Cultura Negra, dedica uma homenagem  especial ao Ilê Aiyê, pioneiro na luta  contra o preconceito, na busca contante pela dignidade do povo negro, na valorização da estética negra e na luta para preservação das tradições africanas no Brasil.

 Tudo começou  ha 35 anos,  dentro do  terreiro da ialorixá Hilda dos Santos Jitolu, carinhosamente chamada de Mãe Hilda, por toda a  comunidade do Curuzu  e respeitada  nacional e internacionalmente. 

O grande mentor  do Ilê Aiyê, Antonio Carlos dos Santos –  o Vovô do Ilê, comanda  a instituição juntamente com um grupo de guerreiros e guerreiras, enfrentando grandes batalhas para manutenção dos projetos sociais  que  funcionam no Centro Cultural Senzala do Barro Preto, na Liberdade e atende  crianças e adolescentes  da Liberdade  além de outras  regiões.

O   projeto mais importantes,( visto que é a base para o desenvolvimento de um Ser crítico e capaz de interagir para transformar sua realizade) é a escola formal Mãe Hilda, fundada em 1988, voltada para alunos da alfabetização à 4ª série do ensino fundamental. 

Com um  projeto pedagógico diferenciado, além da grade curricular convencional,  ensina os fundamentos  da cultura negra.  A instituição também  desenvolver cursos profissionailizantes  para adolescentes.

A data será festejada  neste dia 1 de Novembro, com o tradicional cortejo  que  sai do Plano Inclinado da Liberdade em direção à Senzala do Barro Preto no Curuzu .  

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A participação do sociólogo Severino Elias Ngoenha no  curso  promovido pelo –CEAO– Centro de Estudos  Afro Orientais da UFBA, foi de extrema importância, para todos aqueles que desejam  estudar as características da África negra contemporânea.

O que nós, brasileiros sabemos sobre estes países no momento atual? Como vivem o que pensam  estes povos que  orgulhosamente nos vagloriamos de sermos irmãos ? Não conhecemos nem aqueles que falam o português, imaginem aqueles cuja colonização foi feita por franceses e ingleses!

 Como pensamos  reunir sob uma mesma regra gramatical culturas vivas que desconhecemos? Mais uma vez ocorrerá a imposição dos mais fortes sobre os  desvalido economicamente e tecnologicamente falando?

As raízes culturais  que preservamos,  são imagens  estáticas, não acompanhamos o doloroso  processo de luta que a maioria dos paises africanos tiveram que enfrentar,  para conseguirem a independência e muitos ainda estão iniciando este  frágil e delicado caminho. Nada conhecemos salvo raras excessões.

 Em  uma  breve  viagem realizada a dois paises africanos no ano de 2000, durante as “comemorações” dos nossos  500 anos de descobrimento, tive a certeza de  que precisaríamos descobrir as  Áfricas e sua evolução. 

As imagens que tinha em minha mente, foram se desfazendo como os castelos de areia  que  construímos quando crianças. Pois, o que vi, foi um povo  lutando para resgatar sua identidade através da organização e sistematização de seu  patrimônio documental, da presevação, do restauro e da reconstrução de  seu patrimônio arquitetônico  além da construção de novas formas  e linguagens  contemporâneas.

Temos que nos esforçar e cobrar  para que os tratados diplomáticos entre o  Brasil e os países africanos, não sejam meramente comerciais, precisamos  restabelecer laços históricos sim , mas contruir uma história atual  e sair do plano imaginário.

A seguir, deixo uma matéria publicada hoje no jornal A Tarde, periódico que circula na capital baiana.


A Tarde Aqui no Brasil nós costumamos ter idéias estereotipadas sobre a África. Qual é então o Moçambique real? 



Severino Ngoenha – Moçambique hoje, segundo as grandes definições do FMI e do Banco Mundial é um país que democraticamente tem se saído melhor diante de anos de dificuldades, de conflitos, de guerras. Não falamos nem tanto de guerra civil, mas de um conflito ideológico que se desenrolava entre dois blocos. 


A Tarde | Como Moçambique saiu deste período difícil?



SV Hoje existe paz em Moçambique, existe uma democracia que funciona, existe uma economia que foi se liberalizando com todos os problemas do liberalismo que criam desproporções entre uma pequena massa rica e uma maioria pobre. Digamos assim que Moçambique é um país que avança com muitas dificuldades. É um país extremamente pobre com dificuldades decorrentes da sua estrutura econômica, mas é um país que tenta avançar. A democracia está lá e há informação livre.



A Tarde | Aqui no Brasil existem os problemas ligados às desigualdades que têm também um fundo racial, embora a discussão sobre racismo ainda gere muita polêmica. Qual é a situação atual de Moçambique em relação a esta questão ?

A Tarde | Como Moçambique saiu deste período difícil?



SV Hoje existe paz em Moçambique, existe uma democracia que funciona, existe uma economia que foi se liberalizando com todos os problemas do liberalismo que criam desproporções entre uma pequena massa rica e uma maioria pobre. Digamos assim que Moçambique é um país que avança com muitas dificuldades. É um país extremamente pobre com dificuldades decorrentes da sua estrutura econômica, mas é um país que tenta avançar. A democracia está lá e há informação livre.



A Tarde | Aqui no Brasil existem os problemas ligados às desigualdades que têm também um fundo racial, embora a discussão sobre racismo ainda gere muita polêmica. Qual é a situação atual de Moçambique em relação a esta questão ?



SNO Brasil tem uma percentagem de negros que quase chega à metade da sua população. Lá nós temos 99% de população negra. Temos alguns não negros que são brancos, mestiços, outros de origem indiana. O problema do racismo também está posto nos nossos países porque, infelizmente, o colonialismo português dividiu as comunidades para poder reinar sobre elas. Mas não há as mesmas proporções do Brasil porque os números são diferentes. Mas o que me preocupa é o discurso do racismo que está de volta depois de ter desaparecido durante muitos anos. É um racismo que está influenciado pelas práticas da África do Sul, mas sobretudo o discurso de etnicidade, de pertenças étnicas que é perigoso, porque vimos o que ele provocou no Biafra nos anos 60, em Ruanda. Penso que em Moçambique não se vai chegar a rupturas em termos de conflito e de guerra mas é preciso não ter petróleo no fogo para que amanhã a gente não tenha que se arrepender de conflitos e guerras.



Quando o Sr. fala em etnicidade se refere a quais grupos?



SNMoçambique é um país com muitas etnias que falam línguas e têm culturas completamente diferentes. A etnicidade seria a luta por hegemonia de determinados grupos étnicos. As etnias não são um problema, porque uma mãe não ensina o filho a ser inimigo de alguém porque é de outra etnia. O problema são os políticos que muitas vezes para poder encontrar espaço manipulam as pertenças étnicas e isso acaba criando os conflitos que ocorreram em muitos países africanos e mesmo na Europa.



Qual é a idéia que os moçambicanos têm da Bahia?

Aqui nós temos muito presente o discurso de proximidade com a África negra.

SN Eu penso que os intelectuais de lá têm uma idéia da Bahia, mas o Brasil que 99% dos moçambicanos conhecem é o vinculado pela mídia dominante, principalmente o que é mostrado pelas telenovelas. Não há um moçambicano que não saiba cantar as canções de Roberto Carlos como também não há nenhum moçambicano que não tenha visto a novela “A Escrava Isaura”. Daí que as relações raciais no Brasil são vistas de forma muito caricata. O negro está na cozinha a trabalhar, a limpar o chão e do outro lado está o mundo da burguesia branca. Infelizmente, o consumo cultural que temos do Brasil não vende a Bahia e suas preocupações culturais ou a luta contra a segregação e em busca de uma maior integração social.



O que o Sr. acha do acordo lingüístico firmado entre o Brasil e os outros países de língua portuguesa como Moçambique? 

 

SN Nós em Moçambique temos um apreço particular sobretudo pelo falar brasileiro. Somos favoráveis de fato à abertura do acordo que permita uma colaboração mais técnica. Nós estamos interessados também no fato de que o custo do livro do Brasil é muito mais barato que o custo do livro de Portugal. Assim nós poderemos ter mais cooperação na troca de informações, de material didático escolar. Isto é positivo. Agora o grande perigo deste tipo de medida, quando há países fracos e países fortes, é que os acordos se façam entre Portugal e Brasil e os países africanos tenham simplesmente que aderir aos acordos feitos pela parte de cima. O grande risco disso é vermos um imperialismo de retorno que é fundamentalmente português, mas que o Brasil de uma maneira indireta pode participar por ser o país luso falante mais importante em termos de número e mesmo quando falamos em termos de produção literária.



O governo brasileiro, principalmente nos últimos anos tem se esforçado para se aproximar mais da África negra. Em relação a Moçambique, como tem se dado a aproximação? 



SN Eu sei pouco sobre isso, pois neste momento vivo mais na Suíça do que em Maputo. Sei que existe um Centro Cultural Brasileiro em Maputo que tem feito um enorme trabalho para aproximar os dois países. Há investimento para a cooperação econômica. Agora há um grande perigo nisso tudo que é o de em vez de ser uma cooperação que beneficie o crescimento de um país sirva para sufocá-lo. Em Moçambique o frango brasileiro acaba matando a produção do frango local. Enquanto o frango moçambicano é fresco, o frango brasileiro é congelado. Neste sentido existe uma cooperação que não permite o crescimento de economia local. Os acordos entre Estados são ótimos mas é preciso ter uma vigilância real destes Estados para que eles não produzam novas formas de poder coloniais.



O Sr. veio falar sobre as cidadanias africanas.O que destacaria em relação a este tema?



SNO que eu quero dizer é que a história das cidadanias africanas é diferente. Nós, os africanos de uma maneira geral, lutamos para sermos cidadãoscontra a escravatura, que só acabou no fim do século XIX. Depois nós lutamos para dizer que já não éramos escravos, mas completamente cidadãos. Temos que ter todos os benefícios que a cidadania nos dá. Essa luta continuou nos EUA com Martin Luther King, Malcom X, continua com Angela Davis e hoje é a luta também no Brasil. Por isso as ações afirmativas. A guerra para sermos cidadãos completos continua ainda hoje. Nós africanos lutamos para sermos independentes, para termos cidadania africana a partir dos anos 40 e hoje somos todos independentes. É um fato. Mas sermos independente não se esgota em ter bandeira e passaporte. É preciso termos condições sociais e econômicas para sermos responsáveis por nossas próprias vidas. Essa é a batalha comum em todos os países africanos mas de certa maneira é também a batalha comum entre os africanos e os afrodescendentes que se encontram em situação de marginalização em relação aos espaços cidadãos que nos pertencem.



O Sr. tem formação em teologia. Qual é a situação religiosa de Moçambique?



SNAs igrejas depois de uma situação difícil, numa época marxista, têm um espaço de participação muito grande. Elas mobilizam-se e não é só a Igreja Católica, mas as igrejas protestantes. O Islã participa de um pacto social sobretudo no aspecto de moralização da sociedade. Por ter acontecido muitas rupturas ligadas ao fim do colonialismo, do marxismo, conhecemos hoje uma dimensão moral extremamente difícil. Temos uma pequena incidência de um capitalismo que faz com que o pouco dinheiro que nós temos seja concentrado nas mãos de um pequeno número de pessoas. E,quando há uma desigualdade muito grande, como acontece na Bahia, há também violência. A violência começa com pequenos roubos e acabam em violências bem mais manifestas. Então as igrejas têm desempenhado um papel importante na remoralização da sociedade.



E os cultos ancestrais são muito fortes?



SNNa região sul do Moçambique, o cristianismo praticado foi de natureza quase a tirar tudo aquilo que eram os cultos locais, mas eles não desapareceram completamente. O sincretismo que existe aqui na Bahia entre o catolicismo e o candomblé para nós se manifesta de uma maneira diferente. Quem é cristão no domingo durante a semana pratica outras formas de cultos ancestrais, mas dificilmente as duas ao mesmo tempo. São pessoas que se dividem em dois espaços, mas não conseguem aglutinar os dois movimentos ao mesmo tempo.

 

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Espetáculo: Magia Negra

Foto: Octávio Remédios

 

 

Acontece até o dia 4 de setembro o Módulo de Circulação do Festival de Teatro Lusófono, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB). No espaço Xisto Bahia, serão apresentados três espetáculos e duas oficinas de teatro e dança africanas, trazidas a Salvador.

Nesta segunda-feira dia 1, no espaço Xisto Bahia, às 10h acontecerá a abertura do evento quando acontece um bate-papo com os grupos Teatro Fórum de Moura (Moçambique e Portugal) e Companhia Teatro de Pesquisa Serpente (Angola), aberto a artistas e estudantes. 

 

Espetáculo: O esqueleto
Foto: Mariana Lança

 

As peças Magia Negra e O esqueleto do Cozinheiro Akli, do Teatro Fórum de Moura (Moçambique), e Nojo, do Grupo Teatro Pesquisa- Serpente (Angola) serão apresentadas no mesmo espaço.

 

Espetáculo: Nojo
Foto: António Custódio Cali

 

Com o intúito de criar um intercâmbio contínuo da produção teatral de língua portuguesa, além das apresentações, a ação viabiliza oficinas teatrais gratuitas ministradas pelos artistas africanos, voltadas para atores profissionais e estudantes de artes cênicas.

Prestigie este evento.

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Uma das mais prestigiadas chefs de cozinha baiana, conhecida por todos como  Dadá, foi convidada  pelo  Conselho Norueguês da Pesca, para ensinar chefs jamaicanos a preparar receitas com o Bacalhau da Noruega utilizando  temperos brasileiros.

 Dadá  viaja  esta semana  para ministrar  o curso, Culinary Adventure, que será realizado na Jamaica entre os dia 01 e 03 de setembro.

Na ocasião os jamaicanos terão a oportunidade de conhecer também o livro  Bacalhau da Noruega faz a festa com segredos da Dadá, em  versão Inglês, lançado no Restaurante Sorriso da Dadá, no Pelourinho.

 

O livro, além de destacar  os temperos, cores e aromas das criações culinárias de  Dadá, traz também momentos de sua vida e de suas lembranças desde sua infância. Recorda alguns momentos importantes de sua vida e  sua formação baseada na companhia de sua mãe, Dona Júlia, além dos ensinamentos aprendidos na trajetória de menina pobre, do interior da Bahia. 

 

 Fonte: www.ibahia.com

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