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Posts Tagged ‘história’

Para quem curte fotografia e também se interessa por candomblé, uma boa opção é a  exposição intitulada  “Depois da Festa- Decoração ritual do Terreiro da Casa Branca”.

A mostra traz fotografias da decoração litúrgica da Casa Branca feitas por Regina Martinelli Serra. É uma oportunidade de conferir a variação de cores e formatos que tomam o barracão e outros espaços dos terreiros durante as festas. 

Regina Martinelli Serra é membro da comunidade da Casa Branca. Em 2001 ela pediu licença à ialorixá do terreiro, Mãe Tatá, para fazer as fotografias.

“Na Casa Branca não se pode fazer fotografias durante os rituais. Às vezes tinha que esperar um pouco mais, pois havia os erês e na sua presença também não podia registrar nada. Durante dois anos fui fazendo as fotos. Fiz também retratos que pretendo um dia incorporar a esta exposição”, conta Regina.

De acordo com ela, a exposição é também uma forma de mostrar a beleza do trabalho feito pela comunidade da casa, na maioria das vezes com papel, flores e pano. “Tudo muito simples e extremamente belo.  A criatividade do povo de santo conseguia tirar daqueles  elementos um esplendor que até hoje me comove”, completa.

A mostra prossegue até o dia 5 de março. O período de visitas é de segunda a sexta das 9 às 18 horas, no Museu de Arqueologia e Etnologia da Ufba e no Museu Afro-Brasileiro, ambos localizados no prédio da antiga Faculdade de Medicina,  no Terreiro de Jesus,  Pelourinho.

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V Colóquio Internacional Trabalho Forçado Africano
Brasil, 120 anos da abolição

Em 2008, a abolição da escravatura no Brasil completa 120 anos. Como se sabe, o Brasil foi o último país nas Américas a extinguir a escravidão, evidenciando a importância desta instituição nas ex-colônias portuguesas. Com o objetivo de fomentar e consolidar as redes de investigação neste campo, garantindo formas de difusão do conhecimento já produzido a esse respeito, a Secretaria de Cultura, através da Fundação Pedro Calmon, em parceria com o Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto (CEAUP), com o Programa de Pós-Graduação em História da UFBA, o Programa de Pós-Graduação em História da UEFS e a Pró Reitoria de Extensão da UNEB realizarão no período de 3 a 5 de novembro de 2008, a primeira edição no país do Colóquio Trabalho Forçado Africano.

O Colóquio Trabalho Forçado Africano que o Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto (CEAUP) vem organizando desde 2004, visa a promoção do diálogo entre pesquisadores e a divulgação para o público em geral das modalidades do trabalho forçado africano, desde o século XVI até a atualidade.

Com um foco comparativo, o Colóquio pretende evidenciar como e porque o trabalho forçado africano – sob qualquer uma das muitas modalidades que revestiu – foi estruturante da maioria das sociedades da América e da África. Por isso, considera-se que as pesquisas concernentes a todas as áreas geográficas nas quais esta relação social se desenvolveu, da América do Norte ao Transvaal são pertinentes a este Colóquio.

O tráfico de escravos em larga escala marcou profundamente a história do continente africano e das ex-colônias portuguesas. Por conta desse tráfico, grandes contigentes populacionais foram lançados numa aventura involuntária para a Europa, o Caribe e as Américas. O tráfico, a escravização de africanos e o trabalho forçado no pós-emancipação constituíram fases de um processo com muitas continuidades.

Considerando que em quase toda a África ocidental e central o tráfico atlântico durou até a década de 1860, que sociedades escravagistas se desenvolveram no interior das áreas afetadas pelo tráfico e que pouco tempo depois se instalaram nessas regiões os novos poderes coloniais, pode-se falar de um trabalho forçado africano ininterrupto. É sabido que durante o século XX, as administrações européias adotaram nos seus territórios africanos uma extraordinária tolerância com a manutenção do trabalho compelido.

É razoável prever que um número elevado de investigadores brasileiros sobre o tráfico atlântico e as formas de trabalho forçado durante e depois da escravidão possam partilhar os resultados das suas pesquisas com colegas europeus e africanos no V Colóquio Internacional Trabalho Forçado Africano. É também possível antecipar que, da perspectiva comparada, deverão igualmente esperar-se novas pistas de pesquisa, a explorar as temáticas do colóquio.

A realização do V Colóquio Internacional Trabalho Forçado Africano – Brasil, 120 anos de abolição também possibilitará que se reúna, pela primeira vez, a rede EURESCL, acrónimo de um projecto euro-afro-americano para o estudo do trabalho forçado africano, que engloba o CNRS francês bem como as universidade de Hull, Porto (CEAUP), Dakar e Toronto. Assim como nos anos anteriores, o Colóquio ainda resultará numa publicação com textos nessa área do conhecimento.

 Fonte : funceb

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Teodoro Fernandes Sampaio,  foi  engenheiro, geógrafo e historiador. Nasceu em 1855 no Engenho Canabrava, pertencente ao Visconde de Aramaré, hoje pertencente ao município baiano de Teodoro Sampaio (Bahia). Era filho da escrava Domingas da Paixão do Carmo e do engenheiro Antonio da Costa Pinto, no entanto seu tio o padre Manuel Fernandes Sampaio se incumbio de sua educação  Ainda em Santo Amaro estuda as primeiras letras no colégio do professor José Joaquim Passos. É levado, em 1864 para São Paulo e depois para o Rio de Janeiro, onde estuda no Colégio São Salvador e, em seguida, ingressa no curso de Engenharia do Colégio Central. Ao tempo em que estuda leciona nos Colégios São Salvador e Abílio, do também baiano Abílio César Borges (Barão de Macaúbas), sendo ainda contratado como desenhista do Museu Nacional.

Formou-se em 1877, quando finalmente volta a Santo Amaro, na Bahia, onde nasceu. Ali, revê a mãe e os irmãos, e comprando, no ano seguinte, a carta de alforria de seu irmão Martinho, gesto que repete com os irmãos Ezequiel (1882) e Matias (em 1884). Por ser filho de branco, Sampaio nunca fora um escravo. Em 1879 integra a “Comissão Hidráulica”, nomeada pelo imperador Dom Pedro II, sendo o único engenheiro brasileiro entre estadunidenses. A convite de Orville Derby, que conhecera na expedição aos sertões sanfranciscanos, participa de nova comissão que realiza o levantamento geológico do Estado de São Paulo (1886).

Antes havia realizado o trabalho de prolongamento da linha férrea de Salvador ao São Francisco (1882). No ano seguinte é nomeado engenheiro chefe da Comissão de Desobstrução do Rio São Francisco, que deixa quando do convite de Derby para ir a São Paulo. Ali, dentre outra realizações, participa em 1990 da Companhia Cantareira (engenheiro-chefe), é nomeado Diretor e Engenheiro Chefe do Saneamento do Estado de São Paulo (de 1898 a 1903). Participou da fundação da Escola Politécnica, junto a Sales Oliveira e ao Coronel Jardim.

Foi, em 1894, um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (1898), que presidiu em 1922; sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1902). Em 1912 presidiu o V Congresso Brasileiro de Geografia.

Teodoro Sampaio, que nasceu negro e filho de escrava, foi um dos maiores pensadores brasileiros de seu tempo. Engenheiro por profissão, legou-nos uma bibliografia de vasta erudição geográfica e histórica sobre a contribuição das bandeiras paulistas à formação do território nacional, entre outros temas. É formidável sua sofisticação na percepção da importância dos saberes indígenas (caminhos, mas não só) na odisséia bandeirante. Igualmente digna de consideração foi sua contribuição ao estudo de vários rios brasileiros, de pinturas rupestres em sítios arqueológicos nacionais, do tupi na geografia brasileira e da geologia no País. Neste campo, a geologia brasileira, participou de momentos marcantes, como a expedição de Orville Derby ao vale do rio São Francisco e de comissões específicas. Além disso, foi grande amigo de Euclides da Cunha, e auxiliou o escritor com conhecimentos sobre o sertão baiano na elaboração de Os Sertões.

Seu nome figura na memória intelectual do País ao lado de Capistrano de Abreu, Joaquim Nabuco, Nina Rodrigues e outros do mesmo patamar. Em sua memória, foram batizados dois municípios brasileiros (na Bahia e em São Paulo) e também uma importante rua da cidade de São Paulo.

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