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Matéria Publicada no Jornal A Tarde do Estado da Bahia

Adalberto Meireles

Sáb , 24/05/2014 às 16:42 | Atualizado em: 24/05/2014 às 16:42

Curta sobre a memória ganha exibição em Cannes

Adalberto Meireles

  • Divulgação

    A atriz Lea Garcia no papel de Jerusa, em cena do curta-metragem

Um filme sobre a velhice e a solidão, com os olhos voltados para a questão da memória e da ancestralidade.  “O Dia de Jerusa”, dirigido pela baiana Viviane Ferreira, tendo à frente do elenco a atriz Lea Garcia, participa da 7ª edição do Festival de Cannes, que será encerrado amanhã no balneário francês. Integra a programação do “Short Film Corner”, um espaço dentro do evento destinado à promoção de curta-metragem.

O filme, com 20 minutos de duração, narra o encontro entre Jerusa (Lea Garcia), uma moradora de um velho sobrado do Bixiga, com a jovem Silvia, interpretada por Débora Marçal, que circula pelo tradicional bairro paulistano fazendo pesquisa de opinião sobre sabão em pó. A história surgiu, conta Viviane, de suas observações do cotidiano, ao circular pelas ruas de São Paulo.

A cineasta conheceu uma senhora que reclamava do comportamento ausente dos filhos. Com um elenco todo negro, ela decidiu “bordar a história amargurada” que ouviu com “valores das relações intergeracionais  que aprendeu no seu terreiro. Aportou-se à memória da população negra, disse,  à oralidade, à transmissão do saber da mais velha para a mais nova e à releitura do saber pela mais nova encantando e orgulhando a mais velha.

Minitelas

Radicada em São Paulo há 10 anos, Viviane conta sobre seus dias em Cannes. O filme foi exibido na última terça-feira, na sala 3 do Short Film Corner, para o público de produtores, distribuidores e realizadores que participam do Marché du Film. Assim como os demais inscritos da mostra, “O Dia de Jerusa” está disponível em uma biblioteca virtual, na qual todos os participantes do Festival de Cannes podem assisti-lo individualmente, em uma das dezenas de minitelas disponíveis no Palais do Festival.

A diretora Viviane Ferreira (de amarelo) observou o cotidiano paulista (Foto: Divulgação)
Soteropolitana de  Coqueiro Grande, um dos bairros que integram a Estrada Velha do Aeroporto, Viviane conta que cresceu entre as matas e águas da fonte de oxum do Terreiro Manso Dandalungua Cocuazenza  e a estrada que leva ao Sítio Santo Antônio.

“Nesses dois quintais aprendi sobre memória e ancestralidade com minha Biza Zuzu e minha avó Noélia, e continuo esse fortalecimento com minha yalorixá Lanqueana de Ogun”, afirma. Mudou-se para São Paulo aos 19 anos, onde fez cinema e direito ao mesmo tempo.

Para Viviane, garantir a presença em Cannes não  foi fácil. A equipe teve a colaboração de várias instituições e de uma rede de amigos para a viabilização de sua permanência no festival. Sobre exibição, ela diz  que a produtora Odun Formação & Produção continua enviando o filme para outros festivais internacionais e nacionais que acontecem até março de 2015. E depois negociará  em canais de TV.

A expectativa  é também mostrar “O Dia de Jerusa” na Bahia, que “será o único lugar onde poderei levar  minhas velhinhas para vê-lo na tela gigante”. Mas ela acrescenta que a equipe ainda não conseguiu garantir articulação para pré-lançamento em Salvador.

 

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