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Fonte A Tarde

Rafael Oliveira

Aureliano Ramos de Almeida, 63 anos, um dos líderes da pequena comunidade

Uma das três comunidades baianas beneficiadas pelos decretos de regularização fundiária de quilombos, assinados nesta sexta, em Salvador, pelo presidente Lula, a comunidade de Nova Batalhinha, a 60 quilômetros de Bom Jesus da Lapa, passou o dia de sexta no seu pacato ritmo de vida rural.  Agora, a expectativa das 21 famílias cadastradas pelo Incra que vivem no lugar, localizado a quase 800 quilômetros de Salvador, é receber a almejada titulação e ter de volta os parentes que abandonaram o local, há cerca de 30 anos, para fugir dos conflitos com fazendeiros.

Entre os moradores, a promessa é que uma grande festa será organizada no dia em que receberem o título da terra. O decreto assinado ontem foi publicado em setembro no Diário Oficial da União, mas ainda não há previsão de quando os títulos de propriedades serão entregues às famílias. As demais comunidades são Quilombola Jatobá, no município de São Francisco, e Lagoa do Peixe, em Bom Jesus.

A maioria da população que abandonou o lugar, na década de 70, viveu uma época de várias investidas de grandes proprietários rurais. Segundo os habitantes mais velhos, eles perseguiram duramente os remanescentes de quilombos.

“Ficamos acuados em um pequeno pedaço de chão, depois que perdemos quase todo o rebanho e ficamos ameaçados de morte”, relembra o aposentado Aureliano Ramos de Almeida, alegre por ter conseguido “resistir”.

Hoje, as cerca de 100 pessoas sobrevivem da pecuária e agricultura de subsistência, duas atividades castigadas pela estiagem nos últimos anos. “Muitas famílias se obrigaram a buscar meio de sustento em outros lugares. Esperamos que quando tudo estiver resolvido, eles possam voltar a viver aqui entre nós”, diz a aposentada Maria Ramos de Souza.

A telefonia celular e a energia elétrica são dois “luxos” que eles desfrutam há poucos anos. Uma das principais reivindicações agora é água encanada e tratada – na época de seca, a única fonte de abastecimento é o São Francisco, pois a comunidade fica a 9 km da margem.

A situação precária da estrada de acesso, asfaltada na década de 80, é outro problema da comunidade. Hoje, devido às condições precárias da via, o percurso de apenas 60 quilômetros até Bom Jesus da Lapa exige três horas de deslocamento. “Têm dias que os ônibus e carros não conseguem passar,  a maior preocupação é quando alguém fica doente”, diz a aposentada Guilhermina Borges.

Na comunidade, não existe escola. “Por causa das dificuldades desta estrada, o aprendizado das crianças fica comprometido”, reclama a lavradora Adélia Araújo, 34 anos, que tem dois filhos em idade escolar. Os estudantes têm que ir até outros povoados próximos para o ensino fundamental e até a cidade, para o ensino médio e faculdade.

Cultura devastada - Vice-coordenador da Associação  Quilombola Nova Batalhinha, Adenilton Borges de Almeida, 26 anos, lamenta que as complicações econômicas resultantes dos obstáculos que os moradores enfrentaram com seguidos anos de seca e a perseguição de latifundiários tenham influenciado negativamente na preservação dos traços culturais na comunidade.

“Na luta pela sobrevivência, essa parte ficou esquecida e não está tão presente no momento atual”, diz ele, acrescentando, no entanto, que existe um projeto de resgate, “para o qual estamos recorrendo à memória dos mais velhos”. Adenilton reconhece que existe esta necessidade “não só para a nossa geração, mas também para as crianças e adolescentes, que precisam ter esta referência cultural”.

Em outras comunidades de remanescentes de quilombos da região, muitas manifestações são preservadas. Uma delas é Rio das Rãs, também no município de Bom Jesus da Lapa e nas proximidades do Rio São Francisco.

 

 

Dia 20 de novembro que tal iniciarmos com  um propósito UNIVERSAL? Chega de intolerância, racismo e xenofobia. Sejamos capazes de  respeitar as diferenças.

Sexta-feira a festa em Salvador que já começou desde o início deste mês chega ao seu apogeu. São várias as atividades em comemoração ao 20 de novembro. Às 14 horas começa o ato público na Praça Castro com a apresentação de artistas locais.  A programação, que vai contar com a presença do presidente Lula será encerrada às 20 horas, com um show de Margareth Menezes.

A Coordenação Nacional de Entidades Negras na Bahia (Conen) organiza a sua tradicional marcha com saída do Campo Grande,às 14 horas. Ainda dentro da programação da Conen tem a outorga da medalha Zumbi dos Palmares ao presidente Lula, a partir das 17 horas durante a programação do ato oficial.

A condecoração foi proposta pela Conen e acatada pelos vereadores por unanimidade. A Conen justifica a sua proposta por entender que o governo federal, embora não contemple todas as aspirações do povo negro, tem dado passos importantes.

Basta de violência é o tema da 9ª Caminhada da Liberdade organizada pelo Fórum de Entidades Negras. A saída será às 15 horas do Curuzu, Liberdade com destino ao Pelourinho.  A expectativa é reunir mais de 50 mil pessoas para protestar contra a violência urbana que tem tido como maiores vítimas os jovens negros. O fórum é composto por entidades como Anaad, Cemag, Aganju, Fenacab, Abadfal e as associações culturais Os Negões, Ókambi, Cortejo Afro, Muzenza, Malê De Balê e Ilê Aiyê, cujas bandas vão animar a caminhada.

A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes) também tem atividades dentro da sua programação intitulada Novembro Azeviche. O objetivo é combater o racismo institucional. É a segunda edição do evento. Corredores da Sedes recebem uma exposição de fotos de lideranças negras dos mais diversos segmentos. A exposição, que começou no dia 16, prossegue até sexta-feira. 

fonte A Tarde

Fonte:  Jornal A Tarde

Billy Arquimimo fala sobre Turismo Étnico. Foto: Billy Arquimimo fala sobre turismo étnico. Foto: Fernando Vivas | AG. A TARDE

O que significa turismo étnico? O turismo em Salvador, tão centrado na cultura afro-brasileira, já não seria étnico por natureza? Esta e outras questões sobre o tema foram abordadas nesta entrevista que fiz com Billy Arquimimo, coordenador de Turismo Étnico, da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia. Para ouvirclique aqui.

O programa do governo surgiu há três anos e tem como principal alvo os afro-americanos. Além de Salvador, o programa envolve cidades do Recôncavo como Cachoeira. Aproveito para pedir desculpas a vocês por não ter colocado um novo aúdio ontem, mas aconteceram uns problemas técnicos que impediram a postagem. 

O caderno especial circula na sexta-feira. Esta é uma prática que A TARDE adota desde 2003 e atenção professores: este ano as dicas para o uso das reportagens em sala de aula ganharam um espaço maior. Elas foram elaboradas pela professora e especialista em planejamento educacional, Josiane Clímaco. Outra novidade é que a professora Josiane  incluiu nas dicas a  indicação da turma educacional que pode ter um melhor aproveitamento com a aplicação das sugestões.

Amanhã estarão aqui mais novidades sobre esta cobertura especial e multimídia do Grupo A TARDE em comemoração ao Dia da Consciência Negra que terá Salvador como a sede nacional da festa.

A comemoração do 20 de Novembro como Dia Nacional da Consciência Negra surgiu na segunda metade dos anos 1970, no contexto das lutas dos movimentos sociais contra o racismo. O dia homenageia Zumbi, símbolo da resistência negra no Brasil, morto em uma emboscada, no ano de 1695, após sucessivos ataques ao Quilombo de Palmares, em Alagoas. Desde 1995, Zumbi faz parte do panteão de Heróis da Pátria.

O dia se consolidou como um momento propício a reflexões sobre a situação do negro e da negra no Brasil, a medida que as celebrações foram ganhando maiores proporções e angariando mais apoios. Hoje, em todas as regiões do país, são realizadas atividades relacionadas à temática e algumas capitais, como Rio de Janeiro e São Paulo, instituíram feriado municipal nesta data. Além de ser parte do calendário de atividades do Movimento Negro, o 20 de Novembro foi incorporado por algumas instituições oficiais como a Fundação Cultural Palmares (FCP), vinculada ao Ministério da Cultura, e a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), ligada à Presidência da República.

O 20 de Novembro  tem  muitos  significados construídos no decorrer da sua consolidação, entre  outros: faz referência à imortalidade de Zumbi; evidencia as denúncias  e  reivindicações da população  negra;  oportuniza  balanço  de  conquistas     e estabelecimento de agendas para o futuro.

As homenagens a Zumbi retroalimentam as lutas de mulheres e homens negros(as) pelo fim do racismo, mobilizando todos os setores organizados contra as desigualdades raciais, entre os quais as religiões de matriz africana, quilombos, movimentos de mulheres negras, associações de pesquisadores(as) negros(as), quilombos educacionais, articulações por ações afirmativas, movimentos político-culturais jovens, organizações de juventude por acesso a justiça e a segurança pública.

20/11

Marcha da Consciência Negra  Cajazeiras

Horário: 7hs

Onde: Saída da Feirinha – Cajazeiras X

 

XXX  Marcha Zumbi dos Palmares

Horário: 13hs

Onde: Saída do Campo Grande

 

Marcha da Liberdade

Horário: 13hs

Onde: Saída da Rua do Curuzu – Liberdade

 

II Lavagem Estátua de Zumbi

Horário: 15hs

Onde: Monumento Zumbi dos Palmares -Praça da Sé

 

Show com Artístas Locais

Horário: 15 às 17hs

 

Solenidade com Governador Jaques Wagner e outras autoridades

Horário: 17hs

Onde: Praça Castro Alves

 

Show Encerramento do Dia da Consciência Negra com Margareth Menezes

Horário: 18hs

 

Programa 16 Toneladas

Horário: 21hs

Onde: Rádio Educadora FM 107.5

 

21/11

Atividades Educativas e recreativas para o público infantil

Horário: 9 às 12hs

Onde: Pelourinho

 

Feira de Serviços Cuidando das Baianas

Horário: 9 às 17hs

Onde: Praça da Cruz Caída

 

Transmissão ao Vivo dos programas da Rádio Educadora

Horário: a partir das 16hs

Onde: Praça Tereza Batista

 

Cordel da Consciência Negra – Biblioteca Móvel

Horário: 08:30

Onde: Praça Ana Lúcia Magalhães

 

V Caminhada pela Liberdade Religiosa

Horário:9hs

Onde: Final de Linha do Engenho Velho da Federação

 

 

Qual a condição da pessoa negra na sociedade contemporânea? Esta é a reflexão proposta pelo Novembro Negro, projeto coordenado pela Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi) em parceria com o Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), em alusão ao 20 de Novembro, Dia Nacional da Consciência Negra.

Desde o início do mês, uma ampla programação vem sendo desenvolvida, na capital e no interior do estado, com o objetivo de provocar a mobilização e o debate sobre o racismo, as relações sociais discriminatórias e as conquistas da população negra baiana e brasileira.

Este ano, a ação ganha caráter internacional, com a inclusão do Seminário Experiências Iberoamericanas de Promoção da Igualdade Étnico-Racial que, entre domingo (15) e esta terça-feira (17), reuniu representantes de 22 países no Hotel Vila Galé, em Ondina. A celebração do 20 de Novembro, em ato público na Praça Castro Alves, com a presença do presidente Lula, confere o caráter nacional do projeto. Na Bahia, a população é envolvida por várias ações promovidas pelos movimentos negros, órgãos do Governo do Estado e Prefeituras de todos os territórios de identidade.

São diversas exposições, mostras de filmes, conferências, oficinas, marchas, seminários, realizados em Salvador e em municípios como Alagoinhas, Lauro de Freitas, Camaçari, Conceição da Feira, Irecê, Porto Seguro, Seabra, Souto Soares, Ituberá, Itacaré e Juazeiro, sempre com abordagens étnico-raciais.

Ao público em geral, a chamada à reflexão sobre o contexto do racismo no Brasil chega por uma forte campanha publicitária, lançada pela Sepromi em veículos de comunicação como outdoors, TV, rádio, jornal, revistas, ônibus e mobiliários urbanos. “A nossa ideia é consolidar um ambiente favorável para a implementação de políticas de promoção da igualdade racial no estado”, afirma a secretária de Promoção da Igualdade, Luiza Bairros, que destaca o Decreto Estadual de Políticas para as Comunidades Remanescentes de Quilombos entre as ações de governo a serem lançadas no bojo do Novembro Negro.

O documento, que define as diretrizes das políticas públicas baianas para quilombos, será assinado pelo governador Jaques Wagner, em ato com participação do presidente Luís Inácio Lula da Silva, no 20 de Novembro, na praça Castro Alves.

A praça mais popular de Salvador será palco de outros atos, como a assinatura do Estatuto Nacional de Promoção da Igualdade Racial, pelo presidente Lula, e o anúncio do governador de comunidades que serão beneficiadas com a regularização de suas terras.

Desta forma, a praça Castro Alves será o espaço da celebração nacional do 20 de Novembro, concentrando todas as manifestações tradicionais da data, a exemplo das caminhadas que saem do Campo Grande e da Liberdade.

20 de Novembro

A comemoração do 20 de Novembro como Dia Nacional da Consciência Negra surgiu na segunda metade dos anos 70 do século passado, no contexto das lutas dos movimentos sociais contra o racismo. O dia homenageia Zumbi, símbolo da resistência negra no Brasil, morto em uma emboscada, no ano de 1695, após sucessivos ataques ao Quilombo de Palmares, em Alagoas. Desde 1995, Zumbi faz parte do panteão de Heróis da Pátria.

O dia se consolidou como um momento propício a reflexões sobre a situação da população negra no Brasil, à medida que as celebrações foram ganhando maiores proporções e angariando mais apoios. Hoje, em todas as regiões do país, são realizadas atividades relacionadas à temática e algumas capitais, como Rio de Janeiro e São Paulo, instituíram feriado municipal nesta data.

Além de ser parte do calendário de atividades do Movimento Negro, o 20 de Novembro foi incorporado por algumas instituições oficiais, como a Fundação Cultural Palmares (FCP), vinculada ao Ministério da Cultura, e a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), ligada à Presidência da República.

O 20 de Novembro tem muitos significados construídos no decorrer da sua consolidação, entre eles, faz referência à imortalidade de Zumbi, evidencia as denúncias e reivindicações da população negra e oportuniza balanço de conquistas e estabelecimento de agendas para o futuro.

As homenagens a Zumbi alimentam as lutas de mulheres e homens negros pelo fim do racismo, mobilizando todos os setores organizados contra as desigualdades raciais, entre os quais as religiões de matriz africana, quilombos, movimentos de mulheres negras, associações de pesquisadores negros, quilombos educacionais, articulações por ações afirmativas, movimentos político-culturais jovens, organizações de juventude por acesso a justiça e a segurança pública.

Aconteceu hoje em Salvador, o primeiro dia do  Seminário Experiências Ibero-americanas de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Étnico-Racial com Perspectiva de Gênero.  As políticas de promoção da igualdade implementadas pelos países iberoamericanos estarão em debate até o próximo dia 17 , no Hotel Vila Galé, em Ondina.

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O evento visa o intercâmbio e a disseminação das ações governamentais dessas nações nessa linha de atuação.  Estiveram presentes ao evento o governador   da Bahia Jaques Wagner, Enrique Iglesias da Secretaria Geral Iberoamericana (Segib), a secretária de Promoção da Igualdade, Luiza Bairros, além de diversas lideranças de  movimentos indigenas e negro de paises latinoamericano.A realização do evento é uma parceria do Governo da Bahia, através da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi), com a Segib, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) e a Seppir. Conta ainda com o apoio das secretarias estaduais de Cultura e Turismo e da Prefeitura de Salvador, através da Secretaria Municipal da Reparação (Semur).

 

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O seminário integra a ampla programação do Novembro Negro, projeto coordenado pela Sepromi em parceria com o Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), em alusão ao 20 de Novembro, Dia Nacional da Consciência Negra. O encontro reúne representantes dos países da Ibero-América, região geográfica que compreende os dois países da Península Ibérica (Portugal e Espanha) e os da América Latina hispanófona e lusófona (que têm como idioma, respectivamente, o espanhol e o português), por afinidade histórica, cultural e linguística.

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Durante os três dias de debate serão discutidas a Construção da igualdade racial como campo das políticas públicas, O papel da sociedade civil na promoção da igualdade étnico-racial e de gênero, As experiências brasileiras e iberoamericanas em políticas públicas. Outras abordagens tratarão do papel da estatística para a elaboração de políticas públicas de promoção da igualdade étnico-racial, e do papel das agências e organismos internacionais na promoção da igualdade étnico-racial e de gênero.

Fonte: G1 -

CarlinhosBrownSalvador, 13 nov (EFE).- O músico Carlinhos Brown inaugurou na quinta-feira, em Salvador, o Centro de Música Negra (CMN), que, segundo ele espera, servirá para materializar seu sonho de que os tambores “substituam” as armas.

 

“Queremos deixar um legado com este centro, substituir o tráfico de escravos pela troca de culturas e que os tambores cumpram a função para a qual nasceram, substituir as armas”, afirmou Brown.

 

O CMN é integrado ao Museu do Ritmo, foi impulsionado pelo músico e está localizado no bairro do Comércio, em Salvador, próximo ao centro histórico do Pelourinho.

 

O artista lembrou que o Pelourinho foi um mercado de escravos na época colonial, depois se transformou em uma zona de prostitutas e finalmente se transformou no “centro cultural” de Salvador, graças à contribuição de grupos musicais como o Olodum.

 

O cantor defendeu a utilização da música para combater “a degradação de valores humanos” e “a dor e a pobreza” à qual foram submetidos os povos africanos e seus descendentes.

 

“Houve escravidão e preconceitos no passado e hoje continua. Nós, africanos, queremos (…) utilizar nossa força espiritual para preservar nossa cultura”, acrescentou.

 

No entanto, na opinião de Brown, o CMN não se limita a explorar as expressões musicais das diferentes etnias negras, mas “amarra o desejo de irmanar todas as culturas”.

 

“Todos somos africanos: brasileiros, argentinos, uruguaios, anglo-saxões, bantús e urubás. Ser africano não é ser negro”, disse.

 

O CMN, em suas cinco salas, apresenta um percurso multimídia pelas diferentes contribuições dos negros para a música, desde os ritmos das tribos ancestrais da África até o jazz, o rap e outros sons contemporâneos.

 

A primeira sala é dedicada aos músicos que se tornaram ícones mundiais pelo impacto de suas obras, entre eles Gilberto Gil, Bob Marley, Carlos Santana, Ray Charles, Louis Armstrong, James Brown, Jimi Hendrix ou Aretha Franklin.

 

O segundo espaço se dedica à música africana contemporânea e é seguido por um “túnel” que faz referência à travessia dos navios negreiros da África para América, que foi “horrível”, mas trouxe a “fértil” cultura africana ao novo mundo, segundo o arquiteto Pedro Mendes Rocha, que projetou o espaço.

 

Os dois últimos núcleos, ainda em fase de construção e cuja inauguração está prevista para dezembro de 2010, são dedicados à América negra e às expressões mais contemporâneas, com um passeio do reggae ao hip hop. EFE


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Dia 21 de novembro às 21h.
Vivo Rio

 

 

Ópera de Altay Veloso, com Isabel Filardis, Antonio Pitanga e grande elenco

O espetáculo trata-se da saga de um homem chamado Ogundana, nascido há dois mil anos atrás no antigo Daomé, atual Nigéria.

Esse africano deixa a sua tribo do reino Iorubá ainda menino, com doze anos de idade e, segue rumo ao norte da África.

Depois de caminhar por muitos anos, conhecendo outras nações, atravessando indomáveis desertos, longas savanas, montanhas e vales africanos, chega enfim, já com vinte anos de idade, às margens do Rio Nilo. Ali, ele aprende a avançada medicina do Egito, une esses conhecimentos terapêuticos aos que aprendeu em sua aldeia, tornando-se assim um homem capaz de curas.

Um dia no território da Núbia encontra um homem com um sério ferimento feito pelo ferro da espada, esse homem é um centurião romano, Ogundana o cura e o oficial por agradecimento o convida a ir pra Roma. Em Roma o africano passa a receber soldo pra ser um dos médicos do exército romano; e, quando Pôncio Pilatos é designado governador da Judéia o africano parte junto da tropa. Na cidade de Cesaréia, apaixona-se por Judith, uma linda judia da comunidade essênia que é prima de Maria Madalena. Na Galiléia ouve o Sermão da Montanha e conhece Jesus Cristo, apaixonado pelos ensinamentos do Mestre, O segue até os Seus últimos dias em Jerusalém.

Depois da morte do Filho de Deus, Ogundana vai com sua amada viver na Galiléia, Judith morre vinte anos depois e o africano, já bem velho, no deserto da Palestina.

 

Hoje, dois mil anos depois, no Brasil, num templo de culto africano, esse homem de Daomé retorna ao planeta como uma entidade de nome Alabê de Jerusalém pra contar sua experiência na convivência com o Mestre.

Com: Altay Veloso, Isabel Filardis, Antonio Pitanga, Rick Valley, Selma Reis, bailarinos e grande elenco.

 

Direção: Fabio de Mello

 

 

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Logo  criado pelo publicitário João Silva , para o Afro Film Festival.

Bahia Afro Film Festival…Um festival do Brasil que você nem imagina……de 16 a 22 Bahia Afro Film Festival…Um festival do Brasil que você nem imagina… 22 de novembro 2009.No Brasil 20 de novembro se comemora a morte de Zumbi dos Palmares, em um dia que ( depois de anos de exclusão social e desprezo cultural ) a cultura afro-brasileira vem valorizada e reconhecida como riqueza e parte fundamental do Brasil mestiço e esse dia e também o Dia da Consciência Negra.Zumbi dos Palmares è um personagem histórico que se transformou, pelos seus gestos, simbolo da resistência do povo negro no Brasil.Logo acima Marca criada pelo publicitário João Silva, para o Afro Film Festival.Nella prima edizione della Settimana Della Cultura Baiana il palinsesto cinematografico sarà dedicato alla mente della corrente artistica nota come “Cinema Novo”, il regista Glauber Rocha, che quest’anno avrebbe compiuto 70 anni. Grazie alla collaborazione della Fondazione Glauber Rocha, avremo l’onore di ospitare João Rocha che interverrà approfondendo i temi del Cinema Novo.
Inoltre l’evento accoglierà il Bahia Afro Film Festival, con i suoi cortometraggi sulla quotidianità e la cultura della popolazione di origine africana in Brasile e più specificatamente nello Stato di Bahia. Presente alle proiezioni uno dei più creativi e popolari registi di Salvador: Làzaro Faria

Ingresso ad offerta libera, posti limitati
Programma:
Tutti i Films verranno proiettati alla Casa della Creatività Vicolo di S. Maria Maggiore 1 
Lunedi 16 novembre
dalle ore 17.00
 aperitivo con musica dal vivo e inaugurazione della mostra cinematografica. Interviene João Rocha: “omaggio a Glauber Rocha per i 70 anni dalla nascita”
ore 21.00 proiezione del film “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (di Glauber Rocha)
Martedi 17 novembre
ore 21.00
 proiezione del film “Orixàs da Bahia” di Làzaro Faria un film documentario sulle divinità del candomblé e le loro leggende. Realizzato con la consulenza di Mãe Estrela de Oxòssi, una delle più celebri Mães de Santo de Salvador.
Mercoledi 18 novembre
ore 21.00
 proiezione del film “mandinga em Manhattan” di Làzaro Faria: film documentario sulla diffusione della capoeira in Europa con Mestre João Grande e Mestre João Pequeno.
Giovedi 19 novembre
Ore 20.30
 proiezione del film “O Dragao da Maldade contra o Santo Guerreiro- Antonio das Mortes ” di Glauber Rocha. A seguire conferenza-dibattito con João Rocha della fondazione Glauer Rocha
Venerdi 20 novembre
Ore 20.00
 proiezione del film “A cidade das mulheres” di Làzaro Faria
In occasione della Giornata della Coscienza Negra, un lungometraggio sulle sacerdotesse del Candomblé, religione afro-brasiliana di Bahia.Mais informações pelo Link : http://www.firenze-bahia.com/br/infosettimanaculturabaianafirenze/

fonte instituto: maria preta

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BENIN

Besouro

Besouro (Ailton Carmo) foi o maior capoeirista de todos os tempos. Um menino que – ao se identificar com o inseto que ao voar desafia as leis da física – desafia ele mesmo as leis do preconceito e da opressão. Passado no Recôncavo dos anos 20, Besouro é um filme de aventura, paixão, misticismo e coragem. Uma história imortalizada por gerações, que chega aos cinemas com ação e poesia no cenário deslumbrante do Recôncavo Baiano.
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Jardim das Folhas Sagradas conta a história de Bonfim, negro baiano que tem sua vida virada pelo avesso com a revelação de que precisa abrir um terreiro de candomblé. Com os espaços disponíveis cada vez mais raros, ele acaba procurando um lugar na periferia empobrecida e degradada. Afastado da tradição e questionando fundamentos como o sacrifício de animais, Bonfim cria um terreiro modernizado e descaracterizado, o que lhe trará graves conseqüências.

Numa época em que o crescimento urbano acelerado e a favelização transformam as cidades em espaços cada vez menos habitáveis, o candomblé, religião ancestral trazida pelos escravos africanos, tem uma grande lição de convívio e preservação da natureza a oferecer. A Bonfim e a toda cidade de Salvador.

http://www.jardimdasfolhassagradas.com


O Seminário pretende oferecer um fórum para os países ibero-americanos tratarem de temas como: intercâmbio de informações sobre o processo de implementação de políticas públicas de promoção da igualdade étnico-racial com perspectiva de gênero; intercâmbio de idéias sobre como avançar os temas da Agenda de Durban nos planos nacionais e regionais; como integrar nas políticas e legislações nacionais as disposições contidas no Documento final da Conferência de Revisão e na Declaração e o Plano de Ação de Durban; compartilhamento de experiências nacionais sobre o combate ao racismo e à discriminação; e identificação de boas práticas.

Objetivo Geral:

 

Conhecer, debater e disseminar as ações governamentais destinadas à promoção da igualdade étnico-racial com perspectiva de gênero nos diferentes países da comunidade ibero-americana.

 

Objetivos Específicos:

 

  • sistematizar os resultados alcançados pelas diferentes experiências;
  • aperfeiçoar o arcabouço de políticas de promoção da igualdade racial;
  • ampliar a compreensão da incorporação das dimensões de gênero na execução das políticas públicas;
  • propor novas iniciativas de promoção da igualdade étnico-racial;
  • proporcionar o intercâmbio de experiências no âmbito da promoção da igualdade étnico-racial.

 

Participantes

 

Cerca de 100 participantes, entre especialistas e representantes: da ONU, de organismos regionais, de instituições nacionais de Direitos Humanos, de universidade, da sociedade civil e representantes dos Governos de países ibero-americanos.

 

 

Local : Salvador, 15, 16 e 17 de novembro de 2009 Hotel Vila Galé

Edital Selo da diversidade étnico racial

A Semur irá apresentar a proposta desta política pública para o mundo empresarial, visando agregar mais empresas ao programa. A proposta é que até o final deste ano mais de 100 empresas adiram ao programa do Selo, através do Edital – 2009.

 

Várias pesquisas no país demonstram que homens e principalmente as mulheres negras encontram-se na base da pirâmide social brasileira. Em Salvador, cidade com maior contingente de afrodescendentes do país, esta situação é uma característica muito forte.

 

Este programa representa um importante avanço da Prefeitura de Salvador e tem como principal objetivo incentivar a diversidade racial em um dos campos de maior exclusão da população negra, o mercado de trabalho. As inscrições acontecem entre os dias 23 de outubro e 20 de novembro.

 

Objetivando transformar a realidade dos negros na sociedade, a Semur retomou o programa do Selo da Diversidade. Após a revisão do Plano de Trabalho elaborado pelas empresas e a constatação dos avanços alcançados por cada uma delas, os parceiros foram convocados a participar desta nova etapa para aprovação do Edital 2009.

 

Após algumas reuniões, palestras e debates com os parceiros, as empresas e o Comitê Gestor, bons ventos sopraram e neste curto espaço de tempo está sendo lançado o Edital de abertura do Selo da Diversidade 2009.

 

Os primeiros encontros foram provocados pela Semur para ativar a política pública do Selo com o Instituto Íris, ABRH-BA e Hélio Santos. Neste encontro foram pautadas novas metas e a reafirmação do compromisso em manter ativa esta política pública que fomenta a responsabilidade social das empresas, auxiliando na inclusão social dos afrodescendentes. Os encontros foram organizados com intuito de sensibilizar as empresas, organizações do terceiro setor e a sociedade civil que o Selo é uma política pública de valorização da diversidade étnico-racial e que pode ser uma porta de entrada para melhorar a imagem social das empresas.

 

Este projeto representa um diferencial no mercado de trabalho e é uma forma de alterar os dados atuais, sobre a ausência de trabalhadores afrodescendentes em posições estratégicas das empresas na cidade com maior população negra do país.

 

Histórico – O Selo da Diversidade Étnico-Racial, lançado em 2007, é uma parceria entre a Prefeitura de Salvador, através da Semur, a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-BA) e o Instituto de Responsabilidade e Investimento Social (Íris). O programa é uma peça com potencial em fomentar as empresas com a questão da responsabilidade social, além de ser uma política de valorização da diversidade étnico-racial para as empresas, organizações do terceiro setor e da sociedade civil.

 

No primeiro momento, 30 instituições aderiram ao selo e assumiram o compromisso de desenvolver ações de combate ao racismo no ambiente de trabalho. Além de elaborar o censo étnico-racial, as empresas criaram propostas de alteração da realidade de sub-representação de afrodescendentes em seus diversos níveis hierárquicos. Estas propostas foram analisadas por um Comitê Gestor, composto de organizações representativas do segmento governamental, empresarial e da sociedade civil. E, após a revisão de todos os trabalhos apresentados, foram feitas as alterações necessárias para melhorar o programa do Selo da Diversidade e está sendo lançado o Edital 2009.

 

TEMA: “Um Diálogo sobre a Responsabilidade Social e Empresarial e o Selo da Diversidade”

 

13h – Credenciamento

 

13:30h – Abertura

 

Palestras

 

14h – “Responsabilidade Social Empresarial e Competitiva”

 

Palestrante: Mario Nelson Carvalho – Vice-presidente da ANCEABRA

 

14:30h – “A importância da Diversidade nas Organizações”

 

Palestrante: Rosema Maluf – ACB – Associação Comercial da Bahia

 

15h – Apresentação do Selo da Diversidade Étnico-Racial da Cidade do Salvador

 

Palestrante: Ailton Ferreira – Secretário Municipal da Reparação

 

16h – “Case de Sucesso”

 

Palestrante: Dalila Caldas – Representante do Shopping Center Lapa

 

17h – Encerramento

 

Coquetel

 

Mais informações: (71) 4009-2629 / (71) 4009-2611

 

Adriana Ferreira

Jornalista

 Um dia sonhei  saber  ler  e escrever, digo sonhei porque parecia ser algo muito distante para uma criança de 9 anos de idade,  cuja a  mãe  foi bóia fria , cortadora de cana no sertão nordestino e sem qualquer tipo de instrução. Era o sonho mais impossível de se alcançar, mas precisamos sonhar, somente o desejo nos impulsiona para as  conquistas e para a superação de todos os desafios. Ter  nas mãos um livro, uma revista e imaginar o que estaria escrito, que mundo deveria estar contido naquelas páginas levava longe minha imaginação infantil. Um dia entrei na escola e naquele momento  era como se tivesse conqusitado o maior prêmio que  poderia ter conqusitado em toda minha vida. Na pequena cartilha que logo  ganhou uma capa  quadricular de plástico azul, descobrir que poderia  entrar no munda das palavras e que cada coisa tinha uma serventia e um significado, tudo  tem um porquê?  para quê ? como ?  caminhar  soletrado nomes de ruas, lojas,  ônibus. Não havia papel grafado que não fosse por mim devorado com o mesmo um  apetite voraz . A forma das letras  e a  sua sonoridade era como um encatamento  mágico  juntar as letras e  formar palavras era como se a liberdade tivesse tomado conta totalmente de minha existência.  Passei anos e anos estudando , cruzei cidades, estados e até paises . tudo , tudo com um único objetivo conhecer e dividi. Aprendi, conheci muitas culturas e pessoas … passaria meses aqui relatado cada conquista e degrau deste  caminho, quem sabe um dia não faça capitulos desta caminhada. Quero neste espaço levar as crianças a conhecer através da arte, da cultura. Quero que a criança negra saiba que pode, que tem direito, que um dia também pode descobrir  não apenas a magia das letras mas a cultura que está contida em cada uma das letras, palavras, frases, orações, livros, enciclopedias…………………

Por Alice S. Silva

AFRoSAMBa JAZZ

 

AFRO_SAMBA_JAZZ_23

SESC POMPEIA – TEATRO PAULO AUTRAM

DIA 7 & 8 DE NOVEMBRO 2009

RUA PAES LEME 195, PINHEIROS

TEL: 3095-9400

INGRESSOS: R$ 15,00 R$ 20,00

AS 21 H – 1010 LUGARES.

 

O lançamento do CD Afrosambajazz – A música de Baden Powell, de Mario Adnet e Philippe Baden Powell, com pelo menos sete temas inéditos, traz à tona novamente o conjunto de canções criado pela dupla Baden Powell (1937-2000)-Vinicius de Moraes (1913-1980), na década de 1960, cuja parceria de temática afro-brasileira repercute até hoje. Gravado por cantores e instrumentistas de segmentos diversos, inclusive no exterior, pela primeira vez os chamados afro-sambas ganham um leitura independente do celebrado violão de Baden, sob o argumento de que o violonista e compositor era, também, um homem do jazz. “Baden pode ser considerado um jazzista desde o início. Ele foi um dos primeiros a usar a guitarra elétrica por aqui”, justifica o violonista Mario Adnet, lembrando que, antes, Aníbal Augusto Sardinha, O Garoto (1915-1955), havia feito o mesmo.

Ao lado do pianista Philippe Baden Powell, de 31 anos, filho mais velho de Baden, Adnet apresenta ao público a primeira leitura orquestral da consagrada obra da dupla, acrescentando-lhe, inclusive, composições inéditas do gênero, tais como Caxangá de Oxalá e Lamento de Preto Velho, guardadas a sete chaves pela família Powell, além de temas pouco conhecidos, como Pai e Sermão, e releituras de Canto de Ossanha e Lamento de Exu. Para Philippe, além dos sambas afros originalmente gravados no antológico LP Os afro-sambas de Baden e Vinicius, de 1966, eles acharam mais oito canções inéditas no acervo do pai e outras criações de temática semelhante, não apenas instrumentais, feitas por ele. No total, Baden compôs 23 canções e temas de afro-sambas, alguns gravados pela primeira vez agora, no disco Afrosambajazz.

Mês que vem, acompanhados do grupo de instrumentistas com o qual gravaram o CD, Mario Adnet e Philippe Baden Powell fazem dois concertos de lançamento do disco, no Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, dias 5 e 6, a última data, coincidentemente, dia do aniversário de Baden Powell. O aspecto mais fascinante da música brasileira, na opinião do historiador e produtor Jairo Severiano, é exatamente a fusão de melodia e harmonia de inspiração europeia com rítmica de origem africana. “Isso está na raiz do samba, do lundu – que foi o primeiro ritmo afro-brasileiro – e está na história do choro e do maxixe, também”, destaca o autor de Uma história da música popular brasileira: das origens à modernidade, em que aborda os afro-sambas no capítulo dedicado à gênese do samba. “Com essa série de sambas, Baden e Vinicius deram ênfase exatamente a essas características”, reconhece Jairo, admitindo que, em alguns casos de samba, às vezes até se esquece que a raiz é africana.

Influência de Moacir

Mario Adnet chama a atenção para o fato de, um ano antes do conjunto de canções da dupla vir à tona, Moacir Santos (1924-2006) ter gravado o famoso álbum Coisas, de 1965, que deu uma verdadeira sacudida naquilo que se convencionou chamar de samba-jazz. “Apesar de não achar que o Moacir Santos se encaixa em movimento nenhum – diria até que é um movimento em si mesmo -, ele entra com uma linguagem de samba, bossa nova, jazz e afro que, até então, não havia”, repara Adnet. O músico lembra que houve tentativas no mesmo sentido, já nas décadas de 1930-40. “Eu ouvi dizer, por exemplo, de um maestro chamado Abigail Moura, que tinha uma orquestra afro. Ele tinha um programa na Rádio MEC. É bem capaz de ele ser negro, eu não tenho certeza, não sei nada sobre. Só ouvi falar e pretendo dar uma pesquisada para descobrir”, antecipa. 

Da influência de Moacir Santos sobre Baden Powell, no entanto, Mario Adnet não tem dúvidas. “Eles eram muito amigos. O Baden estudava com o Moacir e foi o primeiro a ouvir as composições dele. Tanto que ele gravou músicas de Moacir também.” Segundo o violonista, as aulas que Baden teve com o mestre pernambucano com certeza contribuiu na criação dos afro-sambas. “O Baden chamava de música superior o que aprendia com o maestro. O Moacir era um cara muito culto, que estudava com Deus e o mundo. Ele estudava um dia por semana com um professor diferente para ter vários pontos de vista sobre uma mesma matéria. E, naturalmente, ele era um cara que tinha um ensino riquíssimo. Ele ensinou para o Baden os modos greco-romanos na música. Mandava o Baden fazer exercícios de composição em cima desses modos. E é aí que nascem, musicalmente, os afro-sambas, nas aulas com o Moacir”, analisa Adnet.

UNIVERSO DOS AFRO-SAMBAS

Afro-sambas com temática orixá (Parcerias com Vinicius de Moraes)
1 – Canto de Ossanha
2 – Canto de Xangô
3 – Bocoché
4 – Canto do Caboclo Pedra Preta
5 – Lamento de Exu
6 – Canto Iemanjá

Temas de Afro-samba (Parcerias com Vinicius de Moraes, menos onde está indicado)
7 – Labareda
8 – Tristeza e solidão
9 – Tempo de amor
10 – Berimbau
11 – Consolação
12 – Alodê (Baden Powell, somente)
13 – Sermão (com Paulo César Pinheiro)
14 – Pai (com Paulo César Pinheiro)
15 – Candomblé (Baden Powell, somente)

Afro-sambas inéditos (De Baden Powell somente, menos onde está indicado)
16 – Caxangá de Oxalá
17 – Domingo de Ramos 
18 – Introdução ao Canto de Iansã
19 – Canto de Iansã (com Ildasio Tavares)
20 – Nhém, nhém, nhém (que tem também o título de Andarilho, com uma letra de P.C. Pinheiro e outra de Silvia Powell)
21 – Lamento de Preto Velho
22 – Ritmo afro (Tema instrumental com Philippe Baden Powell)
23 – Ladainha de Iansã (com Silvia Powell)

Quem gravou

  • Os afro-sambas de Baden e Vinicius, 1966, Forma, LP de Baden Powell e Vinicius de Moraes

• Os afro-sambas, 1990, JSL, CD de Baden Powell com participação do Quarteto em Cy, reeditado comercialmente em 2008, pela Biscoito Fino
• Afrosambas, 1995, Atração Fonográfica, CD de Monica Salmaso e Paulo Belinatti, que ganhou reedições da Pau Brasil, Eldorado e Sony

  • Saravá, Baden Powell, 2002, Biscoito Fino, CD de Clara Sandroni, Marcos Sacramento e Maurício Carrilho
  • Mares profundos, 2004, Natasha/Universal, CD de Virgínia Rodrigues

• Afrosambajazz, 2009, Biscoito Fino, CD de Mario Adnet e Philippe Baden Powell

Como parte das comemorações no Mês da Consciência Negra, uma programação que pretende aproximar o público da obra do poeta, dramaturgo e ator Solano Trindade. Como cidadão politizado, apontou problemas de desigualdade e injustiça na sociedade brasileira e tornou-se precursor no debate sobre o preconceito racial no país.

 


Programação:


Cantando Solano Trindade! Meu avô!

SESC Ipiranga 

Dia(s) 06/11
Sexta, às 21h.

O compositor e percussionista Vitor da Trindade apresenta novas composições, parcerias com seu avô, além de músicas de outros autores, sempre a partir de letras do grande poeta. O repertório mescla os ritmos dos orixás com levadas de reggae, funk, samba, bossa nova e outras tendências da música. Com Carlos Caçapava (vocais e percussão), Manoel Trindade (bateria), Beto Birger (baixo), Beba Zanettini (piano), Gabriel Levy (sanfona e voz), Vitor da Trindade (vocal, violão e percussão) e Maria Trindade (vocal). Convidado: MC Trindade. Teatro. Não recomendado para menores de 10 anos. R$ 16,00 (inteira); R$ 8,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 4,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes). Teatro.

Não recomendado para menores de 10 anos

R$ 16,00 [inteira]
R$ 8,00 [usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante]
R$ 4,00 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]


MC Zinho Trindade e o Legado de Solano Trindade

SESC Ipiranga 

Dia(s) 20/11
Sexta, às 17h.

O jovem músico herdou a tradição familiar na pesquisa e divulgação da cultura popular afrobrasileira. Bisneto de Solano Trindade e filho de Vitor Trindade, Zinho tem seu estilo como MC “freestyle” e se diferencia pelo potencial de improvisação. Ao seu lado, apresenta-se Thiago Beat Box, que produz ritmos e efeitos sonoros com a boca. Área de Convivência.

 

mostraApós o furor cinematrográfico provocado pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que neste ano não exibiu nenhum filme africano, a Matilha Cultural e a curadora Lilian Solá Santiago promovem a ESPELHO ATLÂNTICO - MOSTRA DE CINEMA DA ÁFRICA E DA DIÁSPORA, como programação exclusiva para o Mês da Consciência Negra. A primorosa seleção de filmes propõe um olhar contemporâneo da diversidade cultural do vasto continente africano e de seus descendentes dispersos pelo mundo.

A ESPELHO ATLÂNTICO vêm sendo realizada há dois anos na Caixa Cultural do Rio de Janeiro, acompanhada por um público crescente e fiel. O cronograma do evento paulistano inclui a exibição de 11 filmes, africanos, europeus e brasileiros sobre a temática, a maioria deles inéditos em São Paulo.

A abertura da Mostra acontece na terça-feira, 10 de novembro às 19 horas, no Espaço Matilha Cultural, com coquetel e a primeira exibição em 35mm de “Graffiti”, dirigido por Lilian Solá Santiago.

 

Veja Programação e Sinopse

De 10 a 15 de novembro de 2009 (terça a domingo)

Dia 10/11 – terça-feira – abertura com coquetel

Graffiti (ficção / documentário)
Lílian Solá Santiago (Brasil, 2008, 10 min.)
São Paulo é a cidade mais grafitada do mundo. “Graffiti” acompanha o rolê solitário de Alê numa das semanas mais sinistras que essa cidade já viveu – dos ataques do PCC, e a violenta revanche da polícia em 2006. O que o move a enfrentar as ruas nessa noite? Ganhador do Prêmio Estímulo ao Curta-Metragem. Com Sidney Santiago e Chico Santo.

Sessões: 19:30, 20:00, 21:00 e 21:30 horas.

Dia 11/11 – quarta-feira

O som e o resto (ficção)
André Lavaquial (Brasil, 2007, 23min)
Jahir é um virtuoso baterista carioca que toca numa banda evangélica. Ao se indispor com o pastor da igreja, se vê sozinho na rua com seu instrumento e inicia uma jornada existencial rumo à sua música. Participou de importantes festivais internacionais e, em 2008, foi o único curta-metragem brasileiro a conquistar uma vaga do Festival de Cannes, na seção Cinéfondation.

Cariocas (documentário)
Ariel de Bigault (França, 1989, 57 min.)
“Cariocas” mostra diversas facetas do samba no Rio de Janeiro. Grande Otelo, nos guia ao encontro dos grandes músicos da cidade. Realizado originalmente para a TV francesa, conta com importantes depoimentos de Martinho da Vila, Paulo Moura, Velha Guarda da Portela, Nelson Sargento, Wilson Moreira, e Joel Rufino dos Santos.

Dia 12/11 – quinta-feira

Balé de pé no chão (documentário)
Lilian Solá Santiago e Marianna Monteiro (Brasil, 2006, 17 min.)
Documentário sobre Mercedes Baptista, principal precursora da dança afro-brasileira. Bailarina de formação erudita, cria seu grupo na década de 50, e estuda os movimentos do candomblé e das danças folclóricas. Participou de vários festivais nacionais e internacionais. A versão de 52 minutos para televisão ganhou, entre outros, o Prêmio de Melhor Documentário no I Hollywood Brazilian Film Festival, 2009.

Esperando os homens (documentário)
Katy Lena Ndiaye (Senegal/ Mauritânia/ Bélgica, 2007, 56 min.)
Em Hassania, no abrigo de Oualata, uma cidade vermelha na fronteira distante do deserto de Sahara, três mulheres praticam pintura tradicional decorando as paredes da cidade. Em uma sociedade dominada pela tradição, pela religião e pelos homens, estas mulheres expressam-se livremente, discutindo o relacionamento entre homens e mulheres. Presente em mais de 20 festivais internacionais.

 

Dia 13/11 – sexta-feira

Ossudo (ficção / animação)
Júlio Alves (Portugal, 2007, 14 min.)
Baseado no conto “Ossos”, do famoso escritor moçambicano Mia Couto, este filme é uma história de amor entre duas pessoas desamparadas. Participou de mais de vinte festivais pelo mundo. Recebeu, entre outros, o Troféu de Melhor Filme Português e o Troféu Ouro Animação no 36º Festival Internacional do Algarve.

Kuxa Kanema – O nascimento do cinema (documentário)
Margarida Cardoso (Bélgica / França / Portugal, 2003, 52min.)
O governo Moçambicano cria após a independência, em 1975, o Instituto Nacional de Cinema (INC), pois o presidente, Samora Machel, sabia do poder da imagem para a nação socialista. O filme acompanha a ruína do INC após um incêndio e a desilusão dos moçambicanos com o regime. Vencedor do Festival de Nova York de Filmes Africanos, entre outros.

 

Dia 14/11 – sábado

Maria sem graça (ficção)
Leandro Godinho ( Brasil, 2007, 14min.)
Maria das Graças, menina negra de 12 anos, moradora da periferia de São Paulo, atormenta a vida de sua mãe para alcançar seu maior sonho: ser a apresentadora Xuxa Meneghel. Selecionado para o Festival Internacional de curta-metragens de São Paulo.

Cabo Verde, meu amor (ficção)
Ana Lisboa (Portugal/ França/ Cabo Verde, 2007, 76 min.)
A condição feminina em Cabo Verde na atualidade é o foco principal deste primeiro longa metragem da cineasta Ana Lisboa. Falado em crioulo cabo-verdiano, foi totalmente rodado na Cidade da Praia com um vasto elenco de atores amadores. Primeiro filme realizado e produzido em Cabo Verde, por cabo-verdianos.

Dia 15/11 – domingo

Black Berlim (ficção)
Sabrina Fidalgo (Alemanha / Brasil, 2009, 15 min.)
Nelson é um jovem baiano estudante de engenharia em Berlim. Na capital alemã, leva uma vida muito distante de suas verdadeiras raízes. Porém tudo muda quando ele frequentemente passa a encontrar Maria, uma imigrante ilegal do Senegal. Apesar de ignora-la ele começa a ter visões de personagens estereotipados, que o remetem a um passado que ele prefereria esquecer. Inédito.

O Herói (ficção)
Zezé Gamboa (Angola / França / Portugal, 2004, 97 min.)
Um soldado mutilado na explosão de uma mina volta à Luanda após 20 anos de combates. No elenco o senegalês Makena Diop, as brasileiras Maria Ceiça e Neuza Borges. Premiado no Festival de Sundance (EUA) e no Festival de Cinema Africano de Milão, entre outros.

 

Exibições gratuítas, sempre às 19:00h.

Local: ESPAÇO MATILHA CULTURAL
R. Rego Freitas 542 – São Paulo – Brasil (próx. à R. da Consolação)
fone:11 3256.2636

Mais informações sobre a Mostra:

http://liliansantia go.blogspot. com/

http://matilhacultu ral.com.br/ 2009/10/espelho- atlantico- mostra-de- cinema-da- africa-e- da-diaspora/

 

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Semana_Conscincia_Negra_OsloWorkshops: Capoeira Angola e Danças Afro-brasileiras;

- Exibição de documentários;
- Rodas de Capoeira.

Programação:

14/11 – Sábado:

15:00 – Abertura da Semana da Consciência Negra;

- Inauguração do salão de capoeira revitalizado.

- Workshop: Capoeira Angola para iniciantes, coordenado por André Sapucahy.

- Exibição do documentário: “Pastinha – Uma Vida pela Capoeira”

(Direção: Antônio Carlos Muricy Duração / Ano de produção: 1998 / Duração 52 min, Brasil)

- Roda de Capoeira Angola em homenagem ao Mestre Pastinha.

 

16/11 – Segunda-Feira:

19:30 às 21:30 – Workshop: Danças Brasileiras, coordenado por Luanda Carneiro Jacoel.

Nesse workshop iremos trabalhar com matrizes de movimento, símbolos e metáforas presentes nas manifestações populares afro-brasileiras dos batuques de terreiro e das danças de cortejo. Teremos como foco principal as danças do sudeste do Brasil: Jongo, Congada e Batuque de Umbigada.

Assistiremos trechos dos documentários:
“São Paulo – Corpo e Alma”
(Direção e Roteiro: Paulo Dias e Rubens Xavier / Realização: Associação Cultural Cachuera!)

“Coleção Turista Aprendiz – Sete Curtas”
(Roteiro e Montagem: Edu Garcia / Realização: A Barca)

19/11 – Quinta-Feira:

18:00 às 20:00 – Workshop: Capoeira Angola para principiantes, coordenado por André Sapucahy.

21/11 – Sábado:

15:00 às 16:30 – Workshop: Danças Brasileiras, coordenado por Luanda Carneiro Jacoel.

17:00 às 19:00 – Roda de Capoeira Angola.

19:00 – Exibição do documentário: ” Fala Mangueira”

(Diretor: Fred Confalonieri/Ano de produção: 1982/52 minutos, Brasil)

 

- Encerramento com Festa Brasileira!

Local: Hausmansgate 34, Himmelrommet – Oslo.

Os workshops terão uma taxa de participação de 80kr cada aula. Os demais eventos da programação são gratuitos.

Informações e inscrições: +47 463 45 238
capoeira_angola_noruega@yahoo.com

pichaNão deixem de conferir até o dia 8 de novembro no Museu Afro Brasil, a exposição Picha que  reúne obras de artistas de 16 países do Continente Africano, além de originais de desenhos, álbuns, revistas , publicações e um importante banco de dados com informações sobre desenhistas, chargistas e caricaturistas. Além dos artistas africanos, participam da mostra o norte-americano David Brown, que virá ao Brasil especialmente para participar da programação do evento e o cartunista brasileiro e co-curador da exposição, Maurício Pestana, apresentando semelhanças e diferenças dos desenhos afro-descendentes destes dois países, junto com seus pares na África. A curadoria é da professora e pesquisadora de Histórias em Quadrinhos, Dra. Sonia M. Bibe Luyten.

Fonte: Museu Afro Brasil

Rua Pedro Álvares Cabral, s/nº
Pavilhão Manoel da Nóbrega
Parque do Ibirapuera, portão 10
04094-050 – São Paulo, SP
Outros telefones: 5579-8542 / 5579-7716 / 5579-6399

 

O  documentário Espelho, Espelho Meu é ótima oportunidade para discutir a questão da identidade negra.

Como o processo de negação da identidade negra pode afetar na auto-estima e na aceitação da auto-imagem refletida no espelho? O cabelo é uma linguagem social? Essas são apenas algumas questões levantadas pelo documentário “Espelho, Espelho Meu: uma abordagem sobre representações afro-estéticas no período juvenil” produzido por Jaqueline Barreto durante a disciplina Oficina de Telejornalismo da Faculdade Social da Bahia. O vídeo discorre sobre o processo da auto-imagem do negro a partir de temas como: identidade, alteridade, mídia e família.

De 27 de outubro a 04 de novembro, Salvador recebe a mostra 50 Anos de Cinema da África Francófona: olhares em reconstrução e identidades reinventadas, uma retrospectiva dos 50 anos da cinematografia africana de língua francesa. Ao todo, serão exibidos 50 filmes, entre curtas, médias e longas-metragem. Serão 44 produções de 09 países da África Francófona (Mauritânia, Senegal, Mali, Guiné, Costa do Marfim, Burkina Faso, Níger, Camarões e Madagascar) e seis da França, incluindo obras dos mais importantes cineastas africanos e franceses como Ousmane Sembenne, Djibril Diop Mambéty, Alain Resnais, Chris Marker e Jean Rouch. A mostra acontecerá na sala Walter da Silveira (prédio da Biblioteca Pública dos Barris), e nos cinemas do MAM (Museu de Arte Moderna) e nos cinemas do MAM (Museu de Arte Moderna) e Aliança Francesa. A entrada é franca.

No bojo dessa movimentação ideológica da comunidade negra paulista, através dos seus jornais, surge a idéia da formação da Frente Negra Brasileira. Ela irá constituir-se em um movimento de caráter nacional, com repercussão internacional. Surgiu da obstinação de negros abnegados, como Francisco Lucrécio, Raul Joviano do Amaral, José Correia Leite (que, depois, dela se afastará por motivos ideológicos) e mais alguns. Fundada em 16 de setembro de 1931, sua sede social central localizava-se na rua Liberdade, na capital paulista. Sua estrutura organizacional já era bastante complexa, muito mais do que a quase inexistente dos jornais. Era dirigida por um Grande Conselho, constituído de 20 membros, selecionando-se, dentre eles, o Chefe e o Secretário. Havia, ainda, um Conselho Auxiliar, formado pelos Cabos Distritais da Capital. Criou-se, ainda, uma milícia frente-negrina, organização paramilitar. Os seus componentes usavam camisas brancas e recebiam rígido tratamento, como se fossem soldados. Segundo um dos seus fundadores – Francisco Lucrécio -, a Frente Negra foi fundada ppor ele e outros companheiros embaixo de um poste de iluminação. Ainda segundo a mesma testemunha, no início houve muita incompreensão. Diziam que eles estavam fazendo racismo ao contrário. No entanto, com o tempo, os membros da Frente Negra foram adquirindo a confiança não apenas da comunidade, mas de toda a sociedade paulista. As próprias autoridades a respeitavam. Os seus membros possuíam uma carteira de identidade expedida pela entidade, com retratos de frente e perfil. Quando as autoridades policiais encontravam um negro com esse documento, respeitavam-no porque sabiam que na Frente Negra só entravam pessoas de bem. Ainda segundo depoimento de Francisco Lucrécio, conseguiam acabar com a discriminação racial que existia na então Força Pública de São Paulo. Até aquela data os negros não podiam entrar na corporação. A Frente Negra inscreveu mais de 400 negros, tendo muitos deles feito carreira militar. Por outro lado, havia divergências na comunidade negra em relação à ideologia da Frente, pois muitos não aceitavam a ideologia patrianovista (monarquista) que o seu primeiro presidente, Arlindo Veiga dos Santos, queria impor aos seus membros. Isso iria refletir na trajetória da entidade. Uma visão direitista levou muitos dos seus adeptos a posições simpáticas em relação ao integralismo e ao nazismo. Paradoxalmente, o conceito de raça é manipulado pelos frente-negrinos, que, no seu jornal A Voz da Raça, colocam como seu slogan “Deus, Pátria, Raça e Família”, que depois foi modificado. Era o slogan decalcado diretamente do “Deus, Pátria e Família”, da Ação Integralista. Apesar dessas contradições ideológicas, a Frente Negra se desenvolveu rapidamente, criando núcleos em vários Estados do Brasil. Milhares de negros, nas principais áreas do país, aderem ao seu ideário e passam a ser seus membros. Em face dos êxitos alcançados, a Frente Negra resolveu transformar-se em partido político. Tinha todas as condições exigidas pela Justiça Eleitoral da época, e entrou com pedido nesse sentido em 1936. Sobre o assunto houve discussão entre os membros do Tribunal, que chegaram a alegar uma tendência racista na Frente. Finalmente o seu registro foi concedido. Durou pouco, porém. Logo em seguida, 1937, o golpe de Estado deflagrado por Getúlio Vargas implantando o Estado Novo dissolverá todos os partidos, entre eles a Frente Negra Brasileira. Houve um trauma muito grande na comunidade que a acompanhava ou militava nos seus quadros. Milhares de negros sentiram-se desarvorados politicamente. Um dos seus fundadores, Raul Joviano do Amaral, tenta conservar a entidade, mudando-lhe o nome para União Negra Brasileira. Mas a situação geral do país não era favorável à vida associativa no Brasil, onde a repressão via atos subversivos em qualquer organização. O jornal A Voz da Raça deixa de circular. A censura é imposta a todos os órgãos de imprensa, e a União, que procurou substituir a Frente, morre melancolicamente, em 1938, exatamente quando se comemoravam 50 anos da Abolição.

Fonte:www.terrabrasileira.net

História do Negro Brasileiro / Clóvis Moura – São Paulo: Editora Ática S.A., 1992

Ver imagem em tamanho grandeMilton Gonçalves (Monte Santo de Minas, 9 de dezembro de 1933) é um ator brasileiro. Pai do também ator Maurício Gonçalves, casado com Oda Gonçalves desde 1966, com quem tem três filhos. Começou a carreira em São Paulo, por acaso. Em vez de ser o motorista da família para qual sua mãe trabalhou, Milton preferiu tentar a profissão de gráfico e, um dia, depois de assistir à peça A Mão do Macaco, a convite do ator Egídio Écio, saiu maravilhado. Tratou de entrar logo para um clube de teatro amador, do qual passou para um grupo profissional. Um novo diretor carioca procurava um ator para fazer um preto velho na peça Ratos e Homens. O diretor era Augusto Boal e, o grupo, o Teatro de Arena de São Paulo. “Lá encontrei Gianfrancesco Guarnieri, Flavio Migliaccio, Oduvaldo Viana e tantos outros. Estudavam história do teatro, impostação de voz, postura, filosofia, arte e política.” Com eles, Milton Gonçalves sentia-se absolutamente à vontade. Afinal, estava num grupo que não se preocupava se ele era negro ou não. Milton escreveu quatro peças, uma delas montada pelo Teatro Experimental do Negro e dirigida por Dalmo Ferreira. “Ali aprendi tudo o que sei sobre teatro. Foi fundamental para a minha compreensão do mundo.” Militante do movimento negro, Milton Gonçalves chegou a tentar a carreira política, nos anos 90, ao candidatar-se a governador do estado do Rio de Janeiro, em 1994.

Angela Davis

Angela Yvonne Davis  é  professora e filósofa, nasceu nos Estados Unidos, alcançou notoriedade mundial nos anos 70 como integrante do Partido Comunista dos Estados Unidos, dos Panteras Negras, por sua militância pelos direitos das mulheres e contra a discriminação social e racial nos Estados Unidos e por ser personagem de um dos mais polêmicos e famosos julgamentos criminais da recente história americana. Angela nasceu no estado do Alabama, um dos mais racistas do sul dos Estados Unidos e desde cedo conviveu com humilhações de cunho racial em sua cidade. Leitora voraz quando criança, aos 14 anos participou de um intercâmbio colegial que oferecia bolsas de estudo para estudantes negros sulistas em escolas integradas do norte do país, o que a levou a estudar no Greenwich Village, em Nova Iorque, onde travou conhecimento com o comunismo e o socialismo teórico, sendo recrutada para uma organização comunista de jovens estudantes. Nos anos 60, Angela tornou-se militante do partido e participante ativa dos movimentos negros e feministas que sacudiam a sociedade americana da época, primeiro como filiada da SNCC de Stokely Carmichael e depois de movimentos e organizações políticas como o Black Power e os Panteras Negras.

Em 18 de agosto de 1970, Angela Davis tornou-se a terceira mulher a integrar a Lista dos Dez Fugitivos Mais Procurados do FBI, ao ser acusada de conspiração, seqüestro e homicídio, por causa de uma suposta ligação sua com uma tentativa de fuga do tribunal do Palácio de Justiça do Condado de Marin, em São Francisco.

Durante o verão daquele ano, Angela estava envolvida nos esforços dos Panteras Negras para conquistar a apoio da sociedade a três militantes presos, George Jackson, Fleeta Drumgo e John Clutchette, conhecidos como os “Irmãos Soledad”, por terem sido aprisionados na Prisão de Soledad, em Monterey.

No dia 7 de agosto, Jonathan Jackson, o irmão de dezessete anos de George, em companhia de dois outros rapazes, interrompeu de armas na mão um julgamento num tribunal na tentativa de ajudar a fuga do réu do caso que estava sendo julgado, o amigo James McClain, acusado de ter esfaqueado um policial. Jonathan e seus amigos se levantaram do meio da assistência na sala do júri e renderam todos no recinto, conduzindo o juiz, o promotor e vários jurados para uma van estacionada do lado de fora. Ao entrar na van, Jackson gritou que queria os “Irmãos Soledad soltos até o meio dia e meia em troca da vida dos reféns”.

Com sua prisão decretada pelo estado da Califórnia e o FBI em seu encalço, Ângela fugiu do estado e desapareceu por dois meses, sendo alvo de uma das maiores caçadas humanas do país na época, acompanhada dia a dia pela mídia, até ser presa em Nova Iorque em outubro. O julgamento de dezoito meses que se seguiu, colocou uma mulher negra, jovem, bonita, culta e politizada, assessorada por uma equipe brilhante de advogados, no centro das atenções da imprensa americana num paralelo que só seria igualado décadas depois pelo julgamento de O.J. Simpson. Nos longos debates na corte, não apenas o caso criminal envolvido veio à tona, mas uma grande discussão sobre a condição negra na sociedade americana foi travada. Manifestações diárias por sua libertação e absolvição aconteciam do lado de fora do tribunal e por todo o país, transmitidos ao vivo pela televisão.

Dezoito meses após o início do julgamento, Angela foi inocentada de todas as acusações e libertada. John Lennon e Yoko Ono lançaram a música Angela em sua homenagem e os Rolling Stones gravaram Sweet Black Angel, cuja letra falava de seus problemas legais e pedia sua libertação.

No tiroteio que se seguiu com a perseguição policial ao grupo, Jonathan e um amigo foram mortos pela polícia, não sem antes matarem o juiz Harold Haley com um tiro na garganta e o promotor raptado ficou paralítico com um tiro da polícia. As investigações que se seguiram identificaram a arma de Jonathan como registrada em nome de Angela Davis.

Finalmente livre, Angela foi temporariamente para Cuba, seguindo os passos de seus amigos,os ativistas radicais Huey Newton e Stokely Carmichael. Sua recepção na ilha pelos negros cubanos num comício de massa foi tão entusiástico que ela mal pôde discursar. De acordo com Carlos Moore, um escritor bastante crítico das relações raciais na Cuba comunista, sua visita ao país causou grande impacto entre a população negra num tempo em que expressões de identidade racial eram bem raras em Cuba. Suas credenciais revolucionárias permitiram aos nativos se identificarem de público com seus pensamentos, sem medo de serem taxados de contra-revolucionários pelo governo cubano.

Em 1975, fatos polêmicos também aconteceram, entretanto, como o discurso crítico feito contra Angela pelo dissidente russo Aleksandr Solzhenitsyn em Nova York, que lhe acusava de hipocrisia em sua simpatia pela União Soviética, ao não falar sobre as condições dos prisioneiros políticos em regimes comunistas e por ignorar uma carta de presos políticos tchecos perseguidos pelo Estado lhe pedindo ajuda, como celebridade comunista que era agora, para denunciar as condições em que eram submetidos na cadeia, sabendo-se, como ela, inocentes. A resposta de Angela, “eles merecem o que tiveram, que continuem na prisão”, foi bastante explorada pela imprensa na época.

Angela Davis candidatou-se a vice-presidente dos Estados Unidos em 1980 e 1984 como companheira de chapa de Gus Hall, presidente do Partido Comunista americano, tendo votação irrisória. Continuou sua carreira de ativista política e escreveu diversos livros, principalmente sobre as condições carcerárias no país.

Se considera uma abolicionista, não uma reformista prisional. Em suas palestras sempre se refere ao sistema carcerário americano como um complexo industrial de prisões; aponta como um das soluções para o problema a extinção do cumprimento de penas em presídios e como fator determinante da maioria de prisioneiros americanos serem de negros e latinos a questão da raça e classe social.

Nos últimos anos continua a fazer discursos e palestras principalmente em ambientes universitários e se mantém como uma figura proeminente na luta pela abolição da pena de morte na Califórnia. Em 1977-1978 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz.

fonte:Wikipédia

Lelia Gonzales

Ver imagem em tamanho grandeIntelectual, política, professora e antropóloga brasileira nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais, histórica no movimento feminista brasileiro, por sua luta no combate à violência contra a mulher, notadamente a violência sexual e doméstica. Filha de um ferroviário negro e mãe de origem indígena, e penúltima de dezoito irmãos, migrou para o Rio de Janeiro (1942). Pioneira nos cursos sobre Cultura Negra, com destaque para o 1º Curso de Cultura Negra na Escola de Artes Visuais no Parque Lage, doutorou-se em Antropologia Social, em São Paulo, e dedicou-se a pesquisas sobre a temática de gênero e etnia. Militante do movimento negro, teve fundamental atuação em defesa da mulher negra, participando do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras e do Coletivo de Mulheres Negras N’Zinga. No II Congresso da Mulher Paulista em Valinhos, foi criado o SOS Mulher, sendo também criados serviços semelhantes em outros estados do país, entidades autônomas que tinham como objetivo atender as mulheres vítimas de violência, com um serviço voluntário de advogadas e psicólogas. Como conseqüência do movimento feminista, foram criadas, inicialmente em São Paulo (1985), as Delegacias de Defesa da Mulher. A Constituição de 88 passou a reconhecer a violência doméstica e a necessidade de o Estado criar medidas para coibi-la. Foi suplente de deputado federal (1982) e de deputado estadual (1986). Participou da primeira composição do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, o CNDM (1985-1989). Grande incentivadora das tradições afro-brasileiras, pertenceu ao Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombos, que fazia seu carnaval atendo-se às raízes do velho samba carioca e foi uma das fundadoras do grupo Olodum, de Salvador, Bahia, e faleceu vítima de problemas cardíacos, no Rio de Janeiro, aos 59 anos. Atuou nas universidades brasileiras por mais de 30 anos, até seu falecimento. Em seus últimos dias, foi eleita, por reconhecimento de sua competência, Chefe do Departamento de Sociologia, da Pontifícia Universidade Católica, a PUC, Rio de Janeiro. Em seus escritos destacaram-se os livros Lugar de Negro (1982), com Carlos Hasenbalg, e Festas Populares no Brasil, premiado na Feira de Frankfurt, mas também produziu muitos papers, comunicações, seminários e panfletos político-sociais.

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