Feeds:
Posts
Comentários

Fonte: Fundação Palmares

Jorge da Silva nasceu em 1937 e se popularizou com um dos grandes nomes da produção cinematográfica afro-brasileira no Brasil. Sua carreira começou nas peças do Centro Popular de Cultura da UNE e se encorpou no cinema, no qual se tornou um dos maiores expoentes da cultura afro-brasileira. Estreou em 1962, em “Cinco Vezes Favela”, um dos no marcos do Cinema Novo. Fundador do Centro Afro Carioca de Cinema, Zózimo realizou três curtas, cinco medias e um longa-metragem, todos com foco na cultura afro descendente e na luta contra as desigualdades.

Fez mais de 30 filmes, incluindo clássicos como “Terra em transe”, de Glauber Rocha”, “Compasso de espera”, de Antunes Filho” e “Grande sertão”, de Geraldo Santos Pereira. Seu filme mais conhecido, no entanto, é um documentário de 1988 intitulado “Abolição”, com entrevistas de personalidades sobre o centenário da abolição.

O apresentador Chacrinha o chamava de “o negro mais bonito do Brasil”. Em 1969, Bulbul foi par romântico de Leila Diniz na novela “Vidas em conflito”, da TV Excelsior”. O escândalo fez com que a censura da ditadura militar vetasse a novela. Aproveitando-se da polêmica, o estilista Dener convidou Zózimo para desfilar, tornando-o o primeiro manequim de uma grande grife brasileira.

Em 1974, estreou como diretor com o curta em preto e branco “Alma no Olho”, uma reflexão da identidade negra por meio da linguagem corporal. Zózimo aproveitara os negativos que sobraram do filme de Antunes Filhos para rodar seu curta-metragem. Os integrantes da censura achavam que a obra tinha tom “subversivo” e o chamaram para depor. Perguntaram sob ordem de quem ele havia feito tão sofisticado, imaginando que chegariam a uma complexa mente comunista. “Sob ordens do amigo e poeta Vinicius de Moraes”, respondeu Zózimo. Em 2010, a convite do governo do Senegal, Zózimo fez o média- metragem “Renascimento Africano”, que mostra o país nas comemorações dos seus 50 anos de independência.

Bulbul morreu no dia 24 de janeiro de 2013, aos 75 anos, no Rio de Janeiro.

 

Nei Lopes

O juiz Eugenio Rosa de Araújo, da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro, rejeitou a retirada da internet de 15 vídeos contra o candomblé e a umbanda, alegando que os cultos afro-brasileiros “não constituem religião”, pois não se baseiam em apenas um livro nem têm apenas um Deus. Os vídeos foram postados por representantes de igrejas evangélicas. No artigo abaixo, o escritor Nei Lopes explica os fundamentos dos cultos de origem africana e seu caráter religioso.

Ritual de iniciação das filhas-de-santo. Bahia, Brasil, 1951. Fotografia de José Medeiros/Acervo IMS

 

Em junho de 1993, a Suprema Corte dos Estados Unidos garantiu aos praticantes de cultos de origem africana o direito de sacrificar animais em suas cerimônias religiosas. Esse relevante fato histórico deveu-se, certamente, à articulação das casas de culto de origem cubana estabelecidas no país a partir da década de 1950, as quais na década de 1970 já tinham, entre si, a Church of The Lukumi Babalu Ayé, a qual se propunha, quando de sua fundação, a ter sede, escola, centro cultural e museu, para sua comunidade e público em geral. Na contramão de conquistas como essa, no Brasil atual chega-se a negar aos cultos afro-originados até mesmo a condição de religiões.

Filosofia. Em 1949 era publicado em Paris o livro La philosophie bantoue, obra em que o padre Placide Tempels dava a conhecer o resultado de suas pesquisas de campo realizadas no então Congo Belga. Contrariando toda uma concepção preconceituosamente negativa a respeito do pensamento dos povos africanos, o livro revelava a existência, entre os pesquisados, de uma filosofia baseada na hierarquia das forças vitais do Universo, a partir de uma Força Superior. Assim, quanto aos seres humanos, aprendia o missionário, entre outros postulados, que todo ser humano constitui um elo vivo na cadeia das forças vitais: um elo ativo e passivo, ligado em cima aos elos de sua linhagem ascendente e sustentando, abaixo de si, a linhagem de sua descendência. Consoante esses princípios, todos os seres, vivos ou mortos, se inter-relacionam e influenciam. E a influência da ação de forças tendentes a diminuir a energia vital se neutraliza através de práticas que façam interagir harmonicamente todas as forças criadas e postas à disposição do homem pela Força Suprema.

Meio século depois, outro missionário, o padre espanhol Raúl Ruiz Altuna, pesquisando a partir de Angola, conseguia estabelecer outra hierarquia, traduzida nos seguintes ensinamentos:

Força Suprema reconhecida pelo pensamento africano corresponde ao Ser Supremo das religiões monoteístas. Criador do universo e fonte da vida, esse Serinfunde respeito e temor. Mas é tão infinitamente superior e distante que não é cultuado, ou seja: não pode nem precisa ser agradado com preces nem oferendas. Abaixo desse Ser situam-se, no sistema, seres imateriais livres e dotados de inteligência, os quais podem ser gênios ou espíritos.

Os gênios são seres sem forma humana, protetores e guardiões de indivíduos, comunidades e lugares, podendo temporariamente habitar nos lugares e comunidades que guardam, e também no corpo das pessoas que protegem. Já os espíritos são almas de pessoas que tiveram vida terrena e, por isso, são imaginados com forma humana. Podem ser almas de antigos chefes e heróis, ancestrais ilustres e remotos da comunidade, ou antepassados próximos de uma família.

Ao contrário do Ser Supremo, gênios e espíritos precisam ser cultuados, para que, felizes e satisfeitos, garantam aos vivos saúde, paz, estabilidade e desenvolvimento. Pois é deles, também, a incumbência de levar até o Deus supremo as grandes questões dos seres humanos. Assim, já que contribuem também para a ordem doUniverso, eles devem sempre ser lembrados, acarinhados e satisfeitos, através de práticas especiais. Essas práticas, que representam um culto em si, podem, quando simples, ser realizadas pelo próprio interessado. Mas, quando complexas, devem ser orientadas e dirigidas por um chefe de culto, um sacerdote.

Dentro dessas linhas gerais, segundo entendemos, foi que se desenvolveu a religiosidade africana no Brasil e nas Américas.

Relevância. Os estudos dos padres Tempels e Altura desenvolveram-se entre povos do grupo Banto, do centro-sudoeste africano. Mas outros estudos, inclusive de sábios e cientistas nativos, nos deram conta de que, embora as religiões negro-africanas tenham suas peculiaridades, todas elas comungam de uma ideia central, a da inter-relação entre as forças vitais, sendo vivenciadas segundo princípios comuns.

Por conta dessas formulações, em 1950, no texto Philosophie et religion des noirs(revista Présence Africaine, nº especial 8-9), o antropólogo francês Marcel Griauleprimeiro indagava se seria possível aplicar as denominações “filosofia” e “religião” à vida interior, ao sistema de mundo, às relações com o invisível e ao comportamento dos negros. Perguntava-se, ainda, sobre a existência de uma filosofia negra distinta da religião e de uma religião independente, de uma metafísica, enfim.

Ao final de sua indagação, o cientista afirmava a existência de uma verdadeiraontologia (parte da filosofia que estuda a existência) negro-africana, concluindo pela antiguidade do pensamento nativo, nivelando algumas de suas vertentes a concepções filosóficas asiáticas e da Antiguidade greco-romana; e ressaltando a necessidade e a importância do estudo desse pensamento. Quatro décadas depois, o já citado Altuna, fazendo eco a Griaule, afirmava: “Basta debruçarmo-nos sobre esse conjunto de crenças e cultos para encontrar uma estrutura religiosa firme e digna”.

Definição. O termo “religião”, segundo N. Birbaum, referido no Dicionário de Ciências Sociais publicado pela Fundação Getúlio Vargas, em 1986, define um conjunto de crença, prática e organização sistematizadas, compreendendo uma ideia que se manifesta no comportamento dos seguidores. Daí aferimos que toda religião se define, em princípio, por um culto prestado a uma ou mais divindades; pela crença no poder desses seres ou forças cultuados; e em uma liturgia, expressa no comportamento ritual; e finalmente pela existência de uma hierarquia sacerdotal.

Pelo menos desde meados do século XIX, as religiões chegadas da África ao Brasil, apesar de todas as condições adversas, conseguiram recriar, no novo ambiente, as crenças e as práticas rituais de sua tradição ancestral, dentro dos princípios científicos que definem o que seja religião.

Na própria África já se distinguia, por exemplo, o feiticeiro (ndoki, entre os bantos), agente de malefícios, do ritualista (mbanda ou nganga), manipulador das forças vitais em benefício da saúde, do bem-estar e do equilíbrio social de sua comunidade. E noBrasil, como em outros países das Américas, as diversas vertentes de culto chegaram a tal nível de organização que constituíram, de modo geral, categorias sacerdotais altamente especializadas. Por exemplo, no candombléum babalorixá(“pai daquele que tem orixá”, e não “pai de santo”, como se traduziu derrogatoriamente) não tem a mesma função de um “babalaô” (“pai do segredo”), responsável por interpretar as determinações do oráculo Ifá. Uma equede(sacerdotisa que atende os orixás quando incorporados) não tem as mesmas funções de uma iá-tebexê (a responsável pelos cânticos rituais). Da mesma forma que umaxogum (sacrificador ritual) não tem as mesmas funções de um alabê (músico litúrgico), por exemplo.

As religiões de matriz africana no Brasil, em suas várias vertentes, praticam uma liturgia complexa, que compreendem rituais privados e públicos. Nas práticas privadas, todo ritual se inicia pela invocação nominal dos ancestrais, remotos e próximos, dos fundadores do templo, em listas tão mais longas quanto mais antigo for o“fundamento” da casa. Nas festas públicas, notadamente no chamado candomblé jeje-nagô, oriundo da região africana do Golfo do Benin, as divindades (orixás ou voduns) se manifestam numa ordem rigorosamente obedecida, da primeira à última a entrar na roda das danças. E por aí vamos.

Constitucionalidade. Não é o monoteísmo que caracteriza uma religião. Se assim fosse, as religiões orientais como o hinduismo, o taoísmo etc. não seriam como tal consideradas. Muito menos o é a circunstância de as práticas religiosas serem ou não baseadas em textos escritos. A propósito, o historiador nigeriano I.A. Akinjogbin, em artigo na coletânea Le concept de pouvoir em Afrique (Paris, Unesco, 1981), assim se manifestou: “O conhecimento livresco tem um valor formal e importado, enquanto o saber informal é adquirido pela experiência direta ou indireta. Os conhecimentos livrescos não conferem sabedoria (…) O ensinamento tradicional deve estar unido à experiência e integrado à vida, até porque há coisas que não podem ser explicadas, apenas experimentadas e vividas”.

Vejamos, em conclusão, que toda a tradição africana de culto aos orixás, da qual noBrasil se originaram principalmente o candomblé da Bahia (nagô e jeje), o xangô pernambucano, o batuque gaúcho e a umbanda fluminense, tem uma base filosófica. Esse fundamento é, em essência, o vasto conhecimento que emana da tradição iorubana de Ifá, o oráculo que tudo determina, em todos os momentos da vida de uma pessoa, de uma família, de uma cidade, de uma nação etc. Da tradição de Ifá é que vêm, por exemplo, a origem dos orixás, sua mitologia, suas predileções, suas cores etc. O popular jogo de búzios é uma forma simplificada de consulta ao oráculo.

Esse corpo de doutrina, compreendendo muitos milhares de parábolas, foi transmitido de geração a geração entre os antigos babalaôs, na África e nas Américas. E nos tempos atuais, embora não unificado, já começa a ter circulação inclusive na internet.

Pois essa tradição remonta a muitos séculos; e sua história se conta a partir do momento em que Oduduá, o grande ancestral dos iorubás, cuja presença histórica, no século XII d.C., é atestada cientificamente (cf. A. F. Ryder, História Geral da África, Unesco/MEC/UFScar, vol. IV, 2010, p. 389), após fundar a antiga cidade deIfé, enviou seus diversos filhos em várias direções, para fundar cada um o seu reino.

Mas esta é apenas uma parte da alentada e sábia tradição religiosa que os antigos africanos legaram ao Brasil. A qual, como um todo, goza da proteção constitucional do artigo 5º da Constituição Federal, bem como daquela assim enunciada: “O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional” (art. 215, parágrafo 1º).

Nei Lopes é autor de, entre outros livros, Kitábu, o livro do saber e do espírito negro-africanos (Ed. Senac-Rio, 2005).

 

Matéria originalmente publicada em: http://neilopes.com.br

Matéria Publicada no Jornal A Tarde do Estado da Bahia

Adalberto Meireles

Sáb , 24/05/2014 às 16:42 | Atualizado em: 24/05/2014 às 16:42

Curta sobre a memória ganha exibição em Cannes

Adalberto Meireles

  • Divulgação

    A atriz Lea Garcia no papel de Jerusa, em cena do curta-metragem

Um filme sobre a velhice e a solidão, com os olhos voltados para a questão da memória e da ancestralidade.  “O Dia de Jerusa”, dirigido pela baiana Viviane Ferreira, tendo à frente do elenco a atriz Lea Garcia, participa da 7ª edição do Festival de Cannes, que será encerrado amanhã no balneário francês. Integra a programação do “Short Film Corner”, um espaço dentro do evento destinado à promoção de curta-metragem.

O filme, com 20 minutos de duração, narra o encontro entre Jerusa (Lea Garcia), uma moradora de um velho sobrado do Bixiga, com a jovem Silvia, interpretada por Débora Marçal, que circula pelo tradicional bairro paulistano fazendo pesquisa de opinião sobre sabão em pó. A história surgiu, conta Viviane, de suas observações do cotidiano, ao circular pelas ruas de São Paulo.

A cineasta conheceu uma senhora que reclamava do comportamento ausente dos filhos. Com um elenco todo negro, ela decidiu “bordar a história amargurada” que ouviu com “valores das relações intergeracionais  que aprendeu no seu terreiro. Aportou-se à memória da população negra, disse,  à oralidade, à transmissão do saber da mais velha para a mais nova e à releitura do saber pela mais nova encantando e orgulhando a mais velha.

Minitelas

Radicada em São Paulo há 10 anos, Viviane conta sobre seus dias em Cannes. O filme foi exibido na última terça-feira, na sala 3 do Short Film Corner, para o público de produtores, distribuidores e realizadores que participam do Marché du Film. Assim como os demais inscritos da mostra, “O Dia de Jerusa” está disponível em uma biblioteca virtual, na qual todos os participantes do Festival de Cannes podem assisti-lo individualmente, em uma das dezenas de minitelas disponíveis no Palais do Festival.

A diretora Viviane Ferreira (de amarelo) observou o cotidiano paulista (Foto: Divulgação)
Soteropolitana de  Coqueiro Grande, um dos bairros que integram a Estrada Velha do Aeroporto, Viviane conta que cresceu entre as matas e águas da fonte de oxum do Terreiro Manso Dandalungua Cocuazenza  e a estrada que leva ao Sítio Santo Antônio.

“Nesses dois quintais aprendi sobre memória e ancestralidade com minha Biza Zuzu e minha avó Noélia, e continuo esse fortalecimento com minha yalorixá Lanqueana de Ogun”, afirma. Mudou-se para São Paulo aos 19 anos, onde fez cinema e direito ao mesmo tempo.

Para Viviane, garantir a presença em Cannes não  foi fácil. A equipe teve a colaboração de várias instituições e de uma rede de amigos para a viabilização de sua permanência no festival. Sobre exibição, ela diz  que a produtora Odun Formação & Produção continua enviando o filme para outros festivais internacionais e nacionais que acontecem até março de 2015. E depois negociará  em canais de TV.

A expectativa  é também mostrar “O Dia de Jerusa” na Bahia, que “será o único lugar onde poderei levar  minhas velhinhas para vê-lo na tela gigante”. Mas ela acrescenta que a equipe ainda não conseguiu garantir articulação para pré-lançamento em Salvador.

 

A secretária para Assuntos de Educação e Cultura da Embaixada Britânica no Brasil, NeneNne Iwuji Eme, se reuniu com o secretário de Promoção da Igualdade Racial do Estado da Bahia, Elias Sampaio,para acordar uma parceria com o objetivo de incluir baianos no programa mundial de bolsas de estudo do governo britânico, o Chevening.

O programa é financiado pelo Ministério de Relações Exteriores do Reino Unido (FCO) e organizações parceiras. As bolsas Chevening são complementares a outros programas ofertados atualmente pelo Governo Federal, como o Ciência sem Fronteiras, e são  financiadas pelo governo britânico em qualquer universidade da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

Segundo a secretária, a expectativa é aproximar as relações da Embaixada Britânica com a Bahia e diversificar os grupos de estudantes que realizam os intercâmbios nas instituições de ensino do Reino Unido. “Queremos ter diversidade de alunos. A maioria deles é do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Temos poucos negros, poucas mulheres e pouca diversidade”, afirmou.

O secretário Elias Sampaio, mostrou-se interessado com as informações sobre o programa de bolsas de estudos e se comprometeu a articular um memorando de entendimento e termo de cooperação técnica para ser celebrado entre o Governo da Bahia e a Embaixada Britânica.

A Sepromi se comprometeu a estudar formas de  ajudar os estudantes a manterem-se no país estrangeiro. “Ficamos muito satisfeitos e vamos nos empenhar para que tenhamos essa parceria firmada o mais rápido possível. Entendemos que políticas públicas são resultados de ações coletivas e precisamos sempre ter políticas públicas de empoderamento do povo negro”, destacou o secretário Elias Sampaio.

Na reunião, a estrutura da Sepromi foi apresentada à secretária britânica, assim como as atividades desenvolvidas, as coordenações existentes e o público para o qual o órgão atende. O secretário Elias Sampaio pontuou ainda as ações emblemáticas articuladas ou elaboradas pela Sepromi em sete anos de existência, como a criação da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa; os editais Novembro Negro e Agosto da Igualdade; e a criação do Polo Regional de Promoção da Igualdade Racial, no oeste baiano; a instituição da Lei 12.910/2013, pelo governo da Bahia ,dentre outras.

Ambos os secretários conversaram ainda sobre o racismo institucional e citaram o desafio em desenvolver políticas públicas para reverter esse problema. “Trouxemos exemplos de Londres para construir o Programa de Combate ao Racismo Institucional”, comentou Elias Sampaio.

As bolsas de estudo Chevening são concedidas a estudantes de destaque e com potencial de liderança para um programa de mestrado de um ano em qualquer área e em qualquer universidade do Reino Unido. A parceria com o Brasil existe desde 1938, segundo a secretária da Embaixada Britânica.  Há, atualmente, mais de 41 mil graduados do Chevening pelo mundo, compondo uma rede global.

A Sepromi celebrou este ano uma parceria com o Condado de Fulton, localizado na cidade de Atlanta, no Estado da Geórgia, nos Estados Unidos, com o objetivo de desenvolvas a cooperação nas áreas de cultura; arte; saúde pública; desenvolvimento da juventude e educação e desenvolvimento econômico e turístico. A parceria entre as universidades de Atlanta e o Governo da Bahia se oficializou também por meio de um memorando de entendimento e termo de cooperação técnica.

 Fonte: SEPROMI

Fonte : A Tarde

Colar, assento em uma cadeira e título de “imortal”. O rito realizado tantas vezes na Academia de Letras da Bahia (ALB) e que, nesta quinta-feira, 12, começa às 20 horas, terá um sabor especial para o povo de candomblé.

Pela primeira vez, nos 96 anos da instituição, uma ialorixá ocupará uma vaga na ALB. A protagonista deste marco histórico é Maria Stella de Azevedo Santos, 88 anos, líder do Ilê Axé Opô Afonjá, um dos mais tradicionais terreiros do Brasil.

Mãe Stella é a primeira mulher negra a conquistar uma vaga na academia. Além de todos estes pioneirismos, ela vai ocupar a cadeira nº 33, que tem como patrono um abolicionista: Castro Alves.

E mais: o último ocupante da vaga foi o historiador Ubiratan Castro de Araújo, um intelectual combativo na luta contra o racismo.

“Minha mãe Stella tem uma particularidade: não necessitou sair de sua literatura pessoal, da sua experiência de sacerdotisa para galgar esta posição. Ela não precisou de articulações literárias complexas e inadequadas para ganhar o título com que representa todos nós”, diz o historiador e religioso do candomblé, Jaime Sodré.

Manifesto - Com a chegada de Mãe Stella, a ABL também abre as portas para a representante de uma religião que luta contra os efeitos de um preconceito histórico.

Há apenas 37 anos os terreiros tinham que ir à polícia pedir autorização para realizar seus ritos. Desde então vêm reiterando suas ações em busca do respeito para o qual Mãe Stella contribuiu de forma particular.

Em 1983, ela esteve à frente da elaboração de um manifesto que conclamava os membros de candomblé a assumir a sua religião e pedia o afastamento da prática do sincretismo e de vincular seus ritos ao catolicismo.

Foi uma ação de afirmação. “Para mim é assim. Minha história tem sido marcada pelo trabalho, ou seja, aquilo que eu acho que têm que ser feito”, afirma Mãe Stella.

O manifesto tem mostrado frutos, principalmente em uma nova geração de lideranças religiosas.

“Eu, que ainda não havia assumido a liderança do Terreiro do Cobre, fiquei feliz de descobrir que pensávamos do mesmo jeito sobre o mesmo tema”, diz a ialorixá Valnizia Pereira de Oliveira.

Autora dos livros Resistência e Fé (2009) e Aprendo Ensinando (2011), Mãe Valnizia analisa a chegada de Mãe Stella à academia de letras como um incentivo para aqueles que, como elas, estão usando a literatura para transmitir sua experiência religiosa.

“Não é para contar segredos, mas mostrar o que a gente ensina e ao mesmo tempo aprende. Esta conquista de Mãe Stella representa a luta e resistência de líderes religiosas que vieram antes”.

Aplausos - O mesmo aponta o tata de inquice Anselmo dos Santos, líder religioso do Terreiro Mokambo. “Esse título é um reconhecimento ao candomblé e contempla todos nós”, diz.

As impressões da importãncia da atuação de Mãe Stella vindas dos que a conhecem de forma mais pública são reforçadas por quem convive de perto com ela.

“É uma orientadora, uma pessoa a quem se pode pedir conselhos. É excepcional”, afirma o ogã José Ribamar Daniel, presidente da Sociedade Cruz Santa do Ilê Axé Opô Afonjá, que é a representação civil do terreiro.

A admiração também vem dos colegas da academia. “É mais do que justa essa homenagem à escritora Maria Stella. É uma pessoa que tem um grande conhecimento e que vai nos trazer a visão de outra realidade”, diz a escritora Myriam Fraga.

A ativista africana Leymah Gbowee, Prêmio Nobel da Paz em 2011, desembarca na capital baiana nesta terça-feira (10) para participar do projeto Fronteiras do Pensamento, às 20h30, no Teatro Castro Alves.

De acordo com a assessoria da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi-BA), antes da conferência, a liberiana conhecerá o Centro Histórico de Salvador, onde visitará, às 15h, a sede do Olodum, entidade que trabalha no resgate e valorização da cultura afro.

Em seguida, às 16 horas, a ativista que mobilizou centenas de mulheres na luta pela paz na Líbéria, seguirá para a Senzala do Barro Preto e escola experimental do Ilê Aiyê para encontro com a comunidade local do bairro da Liberdade.

As visitas às entidades culturais afro-brasileiras foram articuladas pela Sepromi, “por entender como importante o intercâmbio da ativista com as entidades que preservam, fortalecem e valorizam a cultura afro”.

Projeto - Ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2011, (ao lado da sua compatriota e atual presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaef, e da jornalista iemenita Tawakkul Karman), Leymah Gbowee realiza conferência para o público baiano dentro do projeto educativo e cultural Fronteiras do Pensamento 2013, apresentado em diversas capitais brasileiras.

Conhecida no cenário internacional como “Guerreira da Paz”, Leymah iniciou o movimento feminino contra a opressão do ditador Charles Taylor e pelos direitos das mulheres na Libéria convocando uma greve de sexo, para atrair os homens contrários à guerra – porém omissos – para as discussões de paz, e também chamar atenção da opinião pública.

Durante a Guerra Civil ela se especializou em enfermagem, trabalhando na recuperação de soldados mutilados. Após o conflito a ativista se formou em Psicologia Pós-Trauma, nos Estados Unidos, para ajudar mulheres violentadas. A edição Fronteiras do Pensamento Salvador é patrocinada pela Braskem e Governo do Estado da Bahia através do Faz Cultura. Os ingressos custam R$ 20 (inteira).

fonte:Correo Nago

“Se os jovens não estiverem sintonizados com esse momento, se não perceberem que existem políticas que garantem o seu acesso a oportunidades como o ingresso nas universidades, todo esse esforço estará comprometido”, declarou a Ministra Luiza Bairros na abertura da III Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Sergipe no dia 28 de agosto. O evento reuniu cerca de 250 pessoas e teve apresentações do grupo Axé Quizomba, e um toré dos índios Xakó do alto sertão sergipano, região que faz fronteira com o estado de Alagoas.

95cw8049-copy1

 

Fotografo: Salete Maso/www.masomultimidia.com.br

“É certo que, da forma como o Brasil se desenvolve hoje, se não assegurarmos a entrada principalmente dos mais jovens nessas oportunidades, continuaremos sem ter lugar no desenvolvimento brasileiro”, disse ainda a chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR).

As afirmações foram feitas em meio à análise da conjuntura em que se dá a III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, a III Conapir, que reunirá convidados, autoridades, parlamentares e cerca de 1,2 mil delegadas e delegados em Brasília, de 5 a 7 de novembro, para ampliar as discussões iniciadas nas etapas municipais e estaduais em torno do tema Democracia e desenvolvimento sem racismo: por um Brasil afirmativo.

Oportunidades
 - A chefe da SEPPIR falou sobre as oportunidades criadas pelo governo federal para a população jovem, destacando o Universidade para Todos e o Fies, programas que oferecem bolsa de estudo e financiamento para jovens negros acessarem o ensino superior, inclusive em instituições particulares. “De cerca de um milhão de bolsas distribuídas pelo ProUni, aproximadamente 50% foi para estudantes negros. Do mesmo modo, com a Lei de Cotas, sancionada pela presidenta Dilma em 2012, teremos condições de ter uma entrada média de 50 mil estudantes negros por ano nas universidades até 2016”, afirmou.

Além das oportunidades para a juventude negra, a ministra trouxe outros exemplos de ações governamentais que justificam a análise sobre a conjuntura em que será realizada a III Conapir, que afirma ser “completamente diferente das circunstâncias em que ocorreram as conferências anteriores”, até mesmo em função da ampliação da consciência racial no país. “Em 2010, pela primeira vez o censo da população (IBGE) registrou uma maioria de negros no Brasil. Isso aconteceu fundamentalmente porque as pessoas negras deixaram de ter vergonha de dizer que eram negras”, afirmou.

A instituição do Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/2010), assim como a implementação dos Planos Nacionais de Desenvolvimento Sustentável para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e dos Povos Ciganos, e do Programa Brasil Quilombola, foram outros exemplos de avanços trazidos pela ministra para definir o ambiente favorável da III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, maior atividade política da SEPPIR em 2013.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 26 outros seguidores